Tricomoníase: Diagnóstico, Agente Etiológico e Tratamento

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2014

Enunciado

Uma mulher com 22 anos de idade, sexualmente ativa, apresenta, há um mês, leucorreia amarelo-esverdeada, de odor fétido. Refere novo parceiro sexual há três meses. Faz uso regular de anticoncepcional combinado oral. Ao exame ginecológico observam-se as imagens mostradas abaixo: O agente etiológico responsável pelo quadro clínico dessa paciente é:

Alternativas

  1. A) Trichomonas vaginalis.
  2. B) Chlamydia tracomatis.
  3. C) Neisseria gonorrehae.
  4. D) Candida albicans.

Pérola Clínica

Corrimento amarelo-esverdeado bolhoso + colo em framboesa (colpite focal) = Tricomoníase.

Resumo-Chave

A tricomoníase é uma IST causada por um protozoário flagelado. O diagnóstico clínico sugere-se pelo aspecto do corrimento e do colo uterino, confirmado pelo exame a fresco.

Contexto Educacional

A tricomoníase é causada pelo Trichomonas vaginalis, um protozoário anaeróbio facultativo. Diferente da candidíase e da vaginose bacteriana, a tricomoníase é estritamente uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST). Sua presença aumenta o risco de transmissão e aquisição de outras ISTs, incluindo o HIV, devido à resposta inflamatória local e quebra da barreira mucosa. No exame físico, a colpite macular é altamente sugestiva, embora presente em apenas cerca de 2-5% dos casos clinicamente. O manejo deve sempre incluir o rastreio de outras ISTs (sífilis, HIV, hepatites, clamídia e gonococo) e a notificação do parceiro. O tratamento sistêmico é necessário porque o parasita pode colonizar glândulas parauretrais e o trato urinário, locais onde o tratamento tópico não atinge concentrações eficazes.

Perguntas Frequentes

Qual o quadro clínico típico da tricomoníase?

A paciente geralmente apresenta leucorreia abundante, de cor amarelo-esverdeada ou acinzentada, bolhosa e com odor fétido. Sintomas associados incluem prurido vulvar, disúria e dispareunia. Ao exame especular, é clássico o achado de 'colo em framboesa' ou 'colo em morango' (colpite macular), que representa micro-hemorragias na mucosa vaginal e cervical.

Como é feito o diagnóstico laboratorial da tricomoníase?

O método mais rápido e comum é o exame a fresco do conteúdo vaginal, onde se observa o protozoário flagelado com movimento ameboide característico. O pH vaginal geralmente está elevado (> 4,5). O teste do KOH (Whiff test) pode ser positivo. A cultura (meio de Diamond) é o padrão-ouro, mas pouco utilizada na rotina. Testes de amplificação de ácidos nucleicos (NAAT) possuem alta sensibilidade.

Qual o tratamento recomendado para Trichomonas vaginalis?

O tratamento de escolha é o Metronidazol, preferencialmente em dose única de 2g por via oral, ou 500mg VO de 12/12h por 7 dias. É fundamental tratar o parceiro sexual simultaneamente, mesmo que assintomático, e orientar a abstinência de álcool durante o uso do medicamento (efeito antabuse) e abstinência sexual até o fim do tratamento.

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