MedEvo Simulado — Prova 2026
No planejamento e execução de uma colecistectomia videolaparoscópica segura, a identificação precisa dos limites do espaço anatômico conhecido como triângulo hepatocístico (ou triângulo de Calot) é fundamental para evitar lesões iatrogênicas das vias biliares. Sobre os limites anatômicos que compõem esse triângulo e as estruturas habitualmente encontradas em seu interior, assinale a alternativa correta:
Triângulo hepatocístico = Ducto cístico + Ducto hepático comum + Borda inferior do fígado.
A identificação precisa do triângulo hepatocístico é o fundamento da 'Visão Crítica de Segurança', prevenindo lesões inadvertidas do ducto hepático comum e da artéria hepática direita.
O conhecimento da anatomia biliar é o pilar da cirurgia digestiva. A colecistectomia é um dos procedimentos mais realizados no mundo, mas carrega o risco de lesões iatrogênicas graves da via biliar principal, que podem resultar em estenoses, cirrose biliar secundária e necessidade de reconstruções complexas. O triângulo hepatocístico é delimitado pelo ducto cístico lateralmente, pelo ducto hepático comum medialmente e pela borda inferior do fígado superiormente. A dissecção cuidadosa deste espaço permite a identificação da artéria cística antes de sua divisão em ramos anterior e posterior na parede da vesícula. Erros de interpretação anatômica, como confundir o ducto colédoco com o ducto cístico (devido à tração excessiva ou inflamação), são as causas mais comuns de lesões biliares, reforçando a necessidade de aplicar sempre a Visão Crítica de Segurança.
Historicamente, Jean-François Calot descreveu o triângulo em 1891 tendo como limites o ducto cístico, o ducto hepático comum e a artéria cística (como limite superior). Na prática cirúrgica moderna, especialmente na colecistectomia videolaparoscópica, utiliza-se o termo 'triângulo hepatocístico', onde o limite superior é a borda inferior do fígado (segmentos IVB e V). Essa mudança é relevante porque o objetivo do cirurgião é dissecar o espaço para encontrar a artéria cística em seu interior, e não usá-la como um limite anatômico prévio, o que aumenta a segurança do procedimento.
A principal estrutura encontrada no interior do triângulo hepatocístico é a artéria cística, que geralmente se origina da artéria hepática direita. Além dela, é comum encontrar o linfonodo de Mascagni (ou linfonodo cístico), que serve como um importante marco anatômico durante a dissecção. Em variações anatômicas, podem ser encontrados ductos biliares acessórios (ductos de Luschka) ou uma artéria hepática direita anômala/substituída, o que exige extrema cautela durante a manipulação cirúrgica para evitar hemorragias ou lesões biliares.
A Visão Crítica de Segurança é uma técnica de identificação anatômica introduzida por Strasberg para prevenir lesões da via biliar. Ela consiste em três requisitos: 1) Limpeza total do tecido gorduroso e fibroso do triângulo hepatocístico; 2) Descolamento da parte inferior da vesícula biliar do leito hepático (fundo da placa cística); 3) Identificação de apenas duas estruturas (ducto cístico e artéria cística) entrando na vesícula biliar. Somente após atingir essa visão é que o cirurgião deve clipar e seccionar as estruturas.
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