AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2024
Durante a correção de uma hérnia inguinal por videolaparoscopia pela técnica TAPP, é indicado evitar a fixação da tela na região lateral aos vasos femorais e inferior ao trato iliopúbico com a intenção de evitar a lesão da seguinte estrutura:
Fixação lateral aos vasos e inferior ao trato iliopúbico → Risco de lesão do N. Cutâneo Lateral da Coxa (Triângulo da Dor).
O Triângulo da Dor é uma zona crítica na cirurgia de hérnia inguinal laparoscópica onde passam nervos sensoriais; grampos ou fixações nesta área podem causar dor crônica e parestesia.
A compreensão da anatomia 'posterior' ou laparoscópica da região inguinal é fundamental para o sucesso das técnicas TAPP (Transabdominal Pré-Peritoneal) e TEP (Totalmente Extraperitoneal). O trato iliopúbico serve como um marco anatômico crucial: acima dele, a fixação é geralmente segura; abaixo dele, entramos nas zonas de risco. A preservação dos nervos no Triângulo da Dor é essencial para prevenir a neuralgia pós-operatória crônica, uma das complicações mais debilitantes após o reparo de hérnia. A tendência moderna é a utilização de telas autoadesivas ou fixação atraumática (cola) para minimizar esses riscos.
O Triângulo da Dor é delimitado superiormente pelo trato iliopúbico e medialmente pelos vasos espermáticos (no homem) ou ligamento redondo (na mulher). Ele contém o nervo cutâneo lateral da coxa, o ramo femoral do nervo genitofemoral e o nervo femoral.
O Triângulo do Medo (ou Desastre) localiza-se medialmente aos vasos espermáticos e contém os vasos ilíacos externos (artéria e veia). O Triângulo da Dor localiza-se lateralmente aos vasos espermáticos e contém estruturas nervosas. Ambos são áreas onde a fixação de telas deve ser evitada.
Os principais nervos em risco são o nervo cutâneo lateral da coxa (mais comumente afetado, causando parestesia na face lateral da coxa) e o ramo femoral do nervo genitofemoral. A lesão ocorre geralmente por compressão por grampos ou fixação inadequada da tela.
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