HC ICC - Hospital do Câncer - Instituto do Câncer do Ceará — Prova 2025
Paciente do sexo masculino, 35 anos, foi submetido à colecistectomia videolaparoscópica devido a histórico de colecistite de repetição. Durante procedimento, foi evidenciado vesícula de paredes espessadas associada a processo aderencial de omento e cólon ao hilo hepático. Uma das formas de garantir a execução segura da cirurgia é a dissecção e visualização das estruturas do:
Triângulo de Calot = Ducto cístico + Ducto hepático comum + Borda inferior do fígado.
A identificação precisa do Triângulo de Calot é o passo fundamental para a 'Visão Crítica de Segurança', prevenindo lesões inadvertidas do ducto colédoco ou da artéria hepática.
A colecistectomia videolaparoscópica é uma das cirurgias mais realizadas no mundo. Apesar de rotineira, a variação anatômica da árvore biliar e da artéria cística é comum. O Triângulo de Calot serve como o principal mapa para o cirurgião. Em situações de inflamação intensa onde a anatomia não pode ser claramente definida, estratégias de resgate como a colecistectomia subtotal ou a conversão para cirurgia aberta devem ser consideradas para garantir a segurança do paciente.
O Triângulo de Calot, descrito originalmente em 1891, é delimitado pelo ducto cístico (inferolateralmente), pelo ducto hepático comum (medialmente) e pela borda inferior do fígado (superiormente). É dentro deste espaço que geralmente se encontra a artéria cística, que deve ser identificada e ligada durante a colecistectomia. A compreensão exata desses limites é crucial para evitar a confusão entre o ducto cístico e o ducto colédoco.
A Visão Crítica de Segurança é uma técnica de identificação anatômica que visa prevenir lesões da via biliar. Ela consiste em três requisitos: 1) O triângulo hepatocístico deve estar livre de gordura e tecido fibroso; 2) A parte inferior da vesícula deve estar descolada do leito hepático para expor a placa cística; 3) Apenas duas estruturas (ducto cístico e artéria cística) devem ser vistas entrando na vesícula biliar. Somente após atingir essa visão o cirurgião deve clipar e seccionar as estruturas.
Processos inflamatórios crônicos ou agudos repetidos levam à formação de aderências firmes (como omento e cólon mencionados no caso) e fibrose intensa no hilo hepático. Isso pode distorcer a anatomia, 'encurtar' o ducto cístico ou tracionar o ducto hepático comum para perto da vesícula. Nesses casos, a dissecção cuidadosa do Triângulo de Calot torna-se ainda mais imperativa para evitar a lesão iatrogênica da via biliar principal, que é uma complicação devastadora.
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