Contraindicações da Triancinolona Intravítrea no Glaucoma

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2010

Enunciado

É contraindicação de injeção intravítrea de triancinolona:

Alternativas

  1. A) Glaucoma não controlado
  2. B) Neovascularizacão de retina
  3. C) Doença de Cushing
  4. D) História prévia de infarto do miocárdio

Pérola Clínica

Triancinolona intravítrea → ↑ Pressão Intraocular (PIO); contraindicada no glaucoma descompensado.

Resumo-Chave

Corticosteroides intravítreos aumentam a resistência ao escoamento do humor aquoso via malha trabecular; o glaucoma não controlado é uma contraindicação absoluta pelo risco de perda visual irreversível.

Contexto Educacional

A injeção intravítrea de triancinolona acetonida é um procedimento potente para reduzir a inflamação e a permeabilidade vascular retiniana. Contudo, sua farmacocinética de depósito implica que o fármaco permanece ativo no segmento posterior por um período prolongado, mantendo o estímulo hipertensivo ocular. O glaucoma não controlado representa um estado de vulnerabilidade do nervo óptico onde qualquer elevação adicional da PIO pode acelerar a perda de campo visual. Além do glaucoma, outras contraindicações importantes incluem infecções oculares ou perioculares ativas e hipersensibilidade conhecida à droga. A avaliação do risco-benefício deve ser rigorosa, priorizando alternativas como anti-VEGF em pacientes glaucomatosos.

Perguntas Frequentes

Por que o corticoide aumenta a pressão intraocular?

Os corticosteroides, como a triancinolona, induzem alterações morfológicas e bioquímicas na malha trabecular, incluindo o acúmulo de glicosaminoglicanos e a inibição de proteases. Isso aumenta a resistência ao escoamento do humor aquoso. Cerca de 30% da população é 'responsiva a esteroides', mas em pacientes com glaucoma pré-existente, esse aumento pode ser severo, sustentado e difícil de controlar com medicação tópica.

Quais as principais indicações da triancinolona intravítrea?

É utilizada principalmente no tratamento de edema macular diabético refratário, edema macular secundário a oclusões venosas da retina e em quadros de uveítes posteriores não infecciosas. No entanto, devido ao perfil de efeitos colaterais (catarata e glaucoma), tem sido frequentemente substituída por implantes de liberação lenta (como o de dexametasona) ou anti-VEGFs em primeira linha.

Como manejar a PIO elevada após injeção de triancinolona?

O manejo inicial envolve colírios hipotensores (betabloqueadores, inibidores da anidrase carbônica ou agonistas alfa-adrenérgicos). Em casos onde a pressão permanece incontrolável e há risco ao nervo óptico, pode ser necessária a intervenção cirúrgica, como a trabeculectomia ou implante de dispositivos de drenagem, já que o depósito de triancinolona pode persistir no vítreo por meses.

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