INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2016
Uma Unidade de Atendimento Médico Móvel Avançada (UTI móvel) foi acionada para atendimento das vítimas de acidente envolvendo colisão de um veículo de passeio com uma árvore. A cena do acidente apresenta um carro de passeio com para-brisa íntegro e deformidade de cerca de 35 cm na lateral, do lado do motorista, sem sinais de vazamento de combustível ou princípio de incêndio; há, ainda, uma árvore caída junto ao carro. Ao lado da porta do passageiro, há um homem com cerca de 50 anos de idade em óbito e, no banco do motorista, encontra-se um homem com cerca de 30 anos de idade, com cinto de segurança afivelado, que se queixa de moderada dor torácica do lado esquerdo à inspiração, dispneia leve e dor intensa no membro inferior esquerdo. Ao exame físico apresenta dor à palpação torácica do gradeado costal esquerdo; ausculta pulmonar simétrica; frequência respiratória = 26 irpm; pressão arterial sistólica = 85 mmHg; frequência cardíaca = 130 bpm; oximetria de pulso com saturação de oxigênio = 92% em ar ambiente; escore da escala de coma de Glasgow = 13; pupilas isocóricas e fotorreagentes; enchimento capilar maior que dois segundos; deformidade no braço esquerdo; e ferimento de aproximadamente 20 cm na coxa esquerda com sangramento venoso significativo. Considerando o atendimento inicial do traumatizado na cena e a sistematização desse caso clínico a ser realizada pela equipe de atendimento pré-hospitalar móvel, faça o que se pede no item a seguir. Considerando os critérios de triagem no atendimento pré-hospitalar, cite os indicadores de gravidade presentes nesse cenário e o nível de assistência (primária, secundária e terciária) a ser informado à Central de Regulação de Urgência.
PAS < 90 mmHg + FC > 120 bpm + GCS < 14 = Paciente crítico → Centro de Trauma Terciário.
A triagem no APH utiliza parâmetros fisiológicos, anatômicos e cinemáticos. Pacientes com instabilidade hemodinâmica e alteração de consciência devem ser regulados para centros de alta complexidade (terciários).
O atendimento pré-hospitalar (APH) móvel segue protocolos rígidos de triagem para otimizar o tempo de resposta e o destino do paciente. O objetivo é identificar rapidamente lesões que ameaçam a vida através do ABCDE do trauma. No cenário descrito, o paciente apresenta sinais clássicos de choque hipovolêmico classe III (taquicardia, hipotensão, alteração do nível de consciência e enchimento capilar lentificado), provavelmente decorrente de hemorragia interna (torácica/abdominal) e externa (ferimento na coxa). A sistematização do atendimento exige que a Central de Regulação de Urgência seja informada sobre a gravidade para que a vaga seja garantida em um hospital com suporte terciário. A presença de 'morte no local' de outro ocupante é um critério de triagem anatomo-patológico que, por si só, já eleva o índice de suspeição para lesões graves no sobrevivente, independentemente dos sinais vitais iniciais.
Os indicadores fisiológicos são fundamentais para a triagem rápida. De acordo com o PHTLS e o ATLS, os principais sinais de alerta incluem: Frequência Respiratória (FR) < 10 ou > 29 irpm, Pressão Arterial Sistólica (PAS) < 90 mmHg (indicando choque descompensado) e Escala de Coma de Glasgow (GCS) ≤ 13. No caso descrito, o paciente apresenta FR de 26 irpm (taquipneia), PAS de 85 mmHg (hipotensão), FC de 130 bpm (taquicardia acentuada) e GCS de 13. Esses parâmetros classificam o paciente como instável e de alta prioridade, necessitando de intervenção imediata para controle de danos e reposição volêmica criteriosa.
A cinemática ou mecanismo do trauma fornece pistas sobre a energia transferida ao corpo. Indicadores de alta energia incluem: intrusão no compartimento do passageiro > 30 cm, ejeção do veículo, morte de outro ocupante no mesmo compartimento e atropelamento. No cenário, a deformidade de 35 cm na lateral do motorista e o óbito do passageiro são indicadores cinemáticos de gravidade extrema. Mesmo que o paciente estivesse inicialmente estável, esses fatores justificariam o transporte para um centro de trauma, pois sugerem lesões internas ocultas, como trauma esplênico, hepático ou lesões de cisalhamento de grandes vasos.
O nível de assistência refere-se à capacidade resolutiva da unidade de destino. A assistência primária envolve unidades básicas ou prontos-socorros sem suporte cirúrgico especializado. A secundária possui suporte hospitalar geral e cirurgia básica. A assistência terciária é representada pelos Centros de Trauma de Nível I ou II, que possuem equipes de neurocirurgia, cirurgia vascular, ortopedia de alta complexidade e UTI 24 horas. Para o paciente do caso, com choque (PAS 85), trauma torácico e TCE leve/moderado (GCS 13), o nível terciário é o único adequado para garantir a sobrevivência e reduzir sequelas, conforme as diretrizes de regulação médica.
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