Triagem para TEA: Quando e Por Que Realizar em Crianças?

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024

Enunciado

Lactente masculino, 1 ano e 6 meses de idade, está em consulta de rotina, acompanhado da mãe, sem queixas. Trata-se do terceiro filho, a mãe refere que tem 2 outros meninos, hígidos, de 7 a 11 anos de idade. Na consulta, não foi notado nenhum ponto relevante em relação à alimentação, sono e rotinas. Quanto ao desenvolvimento, a criança aponta quando vê algo de seu interesse, usa algumas palavras, que no total são: "mama" para mamãe, "papa" para papai, "gu" para água e "esse" para qualquer objeto. Ele entende nomes de objetos, de partes do corpo e consegue obedecer aos comandos quando solicitado, como pegar determinados objetos. Olha nos olhos do interlocutor durante uma conversa. Ele anda sem apoio, corre em alguns momentos, sobe e desce do sofá e de escadas sob supervisão, colabora ao ser vestido e consegue comer algumas frutas e pequenos alimentos com a própria mão. Não apresenta movimentos estereotipados ou repetitivos. A mãe está tranquila com o desenvolvimento, refere que está no mesmo ritmo dos irmãos mais velhos. Seguindo as recomendações atuais da Sociedade Brasileira de Pediatria, é correto afirmar que

Alternativas

  1. A) a criança apresenta desenvolvimento adequado para a idade, a família está tranquila quanto às capacidades da criança, não há necessidade de nenhuma avaliação específica sobre neurodesenvolvimento.
  2. B) a criança deverá ser triada para transtorno do espectro do autismo (TEA) com auxílio de escalas específicas, como o M-CHAT-R, entre 16 e 30 meses de idade, independentemente de qualquer suspeita clínica.
  3. C) a criança apresenta atraso específico da linguagem expressiva, que isoladamente já representa alto risco para transtorno do espectro do autismo (TEA), devendo iniciar terapia direcionada para TEA precocemente.
  4. D) a criança apresenta atraso de comunicação e linguagem, mas a capacidade de olhar nos olhos do interlocutor e a ausência de movimentos estereotipados ou repetitivos excluem a possibilidade de transtorno do espectro do autismo (TEA).
  5. E) a criança apresenta atraso global do desenvolvimento, sendo que o campo da comunicação e linguagem é o mais afetado, direcionando o diagnóstico para um déficit auditivo moderado a grave

Pérola Clínica

Triagem universal para TEA com M-CHAT-R é recomendada entre 16 e 30 meses, independente de suspeita clínica.

Resumo-Chave

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda a triagem universal para Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) em todas as crianças, utilizando escalas como o M-CHAT-R, entre 16 e 30 meses de idade. Mesmo que a criança pareça ter um desenvolvimento 'adequado' ou a família esteja tranquila, a triagem é fundamental para a detecção precoce de sinais sutis.

Contexto Educacional

O desenvolvimento infantil é um processo complexo e dinâmico, e o acompanhamento de seus marcos é uma das responsabilidades mais importantes do pediatra. O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é uma condição neurodesenvolvimental caracterizada por déficits persistentes na comunicação social e interação social, e padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. A prevalência de TEA tem aumentado, e a detecção precoce é fundamental para o início de intervenções que podem melhorar significativamente o prognóstico. As recomendações atuais da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) enfatizam a importância da vigilância do desenvolvimento e da triagem universal para TEA. Independentemente da presença de queixas dos pais ou de sinais de alerta evidentes, a triagem com escalas validadas, como o M-CHAT-R (Modified Checklist for Autism in Toddlers, Revised), é indicada para todas as crianças entre 16 e 30 meses de idade. Essa abordagem proativa visa identificar crianças em risco que poderiam passar despercebidas em uma avaliação clínica rotineira. No caso apresentado, embora a criança demonstre alguns marcos de desenvolvimento adequados e a mãe esteja tranquila, a idade de 1 ano e 6 meses (18 meses) se encaixa na janela recomendada para a triagem com M-CHAT-R. A presença de um vocabulário limitado ("mama", "papa", "gu", "esse") para a idade, embora não seja um atraso grave, reforça a necessidade de uma avaliação mais detalhada. A intervenção precoce, iniciada logo após a identificação de riscos, é crucial para maximizar o potencial de desenvolvimento da criança com TEA, impactando positivamente suas habilidades sociais, comunicativas e adaptativas.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais marcos de desenvolvimento esperados para uma criança de 18 meses?

Aos 18 meses, a criança geralmente anda sozinha, corre, sobe escadas com ajuda, usa algumas palavras (10-20), aponta para objetos, entende comandos simples e demonstra interesse em interações sociais.

Por que a triagem universal para TEA é recomendada, mesmo sem suspeita clínica?

A triagem universal permite a detecção precoce de sinais de TEA, mesmo em crianças com desenvolvimento aparentemente típico, pois os sinais podem ser sutis. A intervenção precoce é crucial para melhorar o prognóstico e o desenvolvimento da criança.

O que é a escala M-CHAT-R e como ela é utilizada na prática pediátrica?

O M-CHAT-R (Modified Checklist for Autism in Toddlers, Revised) é uma ferramenta de triagem para TEA, preenchida pelos pais, composta por 20 perguntas. É utilizada para identificar crianças entre 16 e 30 meses que podem estar em risco de TEA, necessitando de avaliação diagnóstica mais aprofundada.

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