USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2023
Mãe de 28 anos, primigesta, sem comorbidades, há 24 horas deu à luz a um recém-nascido a termo, adequado para a idade gestacional. O pré-natal foi adequado e sem intercorrências. O primeiro exame clínico completo do recém-nascido não apresentou alterações. A mãe refere preocupação com relação à investigação de fenilcetonúria, pois tem histórico familiar da doença. Ela insiste na realização imediata de exames que identifiquem a doença.Com relação ao exame de triagem para a doença em questão, está correto afirmar:
Triagem neonatal para fenilcetonúria idealmente após 48h de vida e ingestão proteica adequada, para evitar falso negativo.
O teste de triagem neonatal para fenilcetonúria (PKU) deve ser realizado após as primeiras 48 horas de vida, e preferencialmente entre 3 e 5 dias, garantindo que o recém-nascido tenha recebido alimentação proteica suficiente para que os níveis de fenilalanina se elevem em caso de deficiência enzimática.
A fenilcetonúria (PKU) é um erro inato do metabolismo autossômico recessivo, caracterizado pela deficiência da enzima fenilalanina hidroxilase, responsável por converter fenilalanina em tirosina. A acumulação de fenilalanina e seus metabólitos no sangue e tecidos é neurotóxica, causando danos cerebrais progressivos se não tratada precocemente. A doença não apresenta sinais clínicos ao nascimento, o que torna a triagem neonatal (teste do pezinho) fundamental para o diagnóstico precoce. O momento ideal para a coleta da amostra para o teste do pezinho é crucial para a acurácia dos resultados. Recomenda-se que a coleta seja realizada após 48 horas de vida do recém-nascido e, idealmente, entre o 3º e o 5º dia de vida. Este período é necessário para garantir que o bebê tenha tido ingestão proteica suficiente (seja por leite materno ou fórmula) para que os níveis de fenilalanina se elevem a um patamar detectável em caso de deficiência enzimática. Coletas muito precoces podem resultar em falso-negativos. Uma vez diagnosticada, a fenilcetonúria é tratada com uma dieta restrita em fenilalanina, suplementada com fórmulas especiais e aminoácidos. O manejo dietético deve ser iniciado o mais rápido possível após o diagnóstico para prevenir o desenvolvimento de deficiência intelectual e garantir um desenvolvimento neurológico normal. A triagem neonatal é, portanto, uma das intervenções de saúde pública mais bem-sucedidas na prevenção de doenças genéticas.
A triagem neonatal é crucial para a fenilcetonúria porque permite o diagnóstico precoce da doença. Com o início de uma dieta restrita em fenilalanina nos primeiros dias de vida, é possível prevenir o retardo mental e outras complicações neurológicas graves.
O teste do pezinho para fenilcetonúria não deve ser feito imediatamente após o nascimento porque é necessário que o recém-nascido tenha ingerido proteínas por pelo menos 24 a 48 horas. Isso permite que a fenilalanina se acumule no sangue de bebês afetados, evitando resultados falso-negativos.
Um diagnóstico tardio de fenilcetonúria e a consequente falta de tratamento podem levar a danos neurológicos irreversíveis, incluindo retardo mental grave, convulsões, problemas comportamentais e de desenvolvimento, além de outros sintomas como eczema e odor corporal característico.
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