Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2026
Um recém-nascido a termo, com 30 horas de vida, sem intercorrências no parto ou no período neonatal imediato, está prestes a receber alta hospitalar. Durante a triagem neonatal de rotina, foi realizado o Teste do Coraçãozinho com oximetria de pulso. Os resultados foram: saturação de oxigênio no membro superior direito de 97% e no membro inferior esquerdo de 93%. O bebê encontra-se em bom estado geral, ativo e corado. Com base nos achados do Teste do Coraçãozinho e nas diretrizes de triagem neonatal, qual é a conduta mais apropriada para o pediatra nesse momento?
SpO2 < 95% ou diferença ≥ 4% entre MSD e MI → Repetir em 1h (até 3x) antes do ECO.
O Teste do Coraçãozinho detecta cardiopatias canal-dependentes; valores alterados exigem reavaliação em 1 hora para confirmar a persistência antes de exames invasivos.
O Teste do Coraçãozinho é uma ferramenta de triagem fundamental para a detecção precoce de cardiopatias congênitas críticas (CCC), que são aquelas que dependem da patência do canal arterial para a sobrevivência do neonato. A triagem deve ser realizada em todo RN com idade gestacional > 34 semanas, entre 24 e 48 horas de vida, antes da alta hospitalar. A sensibilidade do teste é alta para lesões como transposição das grandes artérias, tetralogia de Fallot e atresia pulmonar. Fisiopatologicamente, a transição da circulação fetal para a neonatal envolve o fechamento do canal arterial. Se houver uma malformação cardíaca grave, esse fechamento pode levar ao choque cardiogênico ou hipoxemia grave. O protocolo de repetição em 1 hora visa reduzir falsos-positivos causados por instabilidades vasomotoras periféricas normais nas primeiras horas de vida, garantindo que apenas casos com suspeita real de CCC sejam submetidos ao ecocardiograma.
O teste é considerado positivo ou alterado quando a saturação de oxigênio (SpO2) é inferior a 95% em qualquer um dos membros (membro superior direito ou um dos membros inferiores) ou quando há uma diferença igual ou superior a 4% entre a saturação pré-ductal (MSD) e a pós-ductal (MI). O teste deve ser realizado entre 24 e 48 horas de vida em recém-nascidos a termo e aparentemente saudáveis. Se a primeira medida for alterada, o protocolo exige repetições para confirmar a persistência do achado antes de prosseguir para exames de imagem.
Caso a primeira aferição da oximetria de pulso apresente resultados fora da normalidade (SpO2 < 95% ou diferença ≥ 4%), a conduta correta não é a alta nem o ecocardiograma imediato. Deve-se repetir a oximetria em 1 hora. Se o resultado permanecer alterado, realiza-se uma terceira medida após mais 1 hora. Somente se a alteração persistir após essas três aferições é que o teste é considerado definitivamente positivo, exigindo a realização de um ecocardiograma em até 24 horas.
A saturação no membro superior direito (MSD) representa a oxigenação pré-ductal (sangue que sai da aorta antes do canal arterial). A saturação nos membros inferiores representa a oxigenação pós-ductal. Em cardiopatias congênitas críticas canal-dependentes, como a coarctação da aorta ou a síndrome da hipoplasia do coração esquerdo, pode haver um shunt direita-esquerda pelo canal arterial ou obstrução ao fluxo sistêmico, gerando uma diferença significativa de saturação entre esses dois pontos ou hipoxemia sistêmica.
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