INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2017
Um lactente com 3 meses de vida é atendido em sua terceira consulta em Unidade Básica de Saúde. Segundo o prontuário do paciente, ele nasceu a termo por meio de parto normal, pesando 2.950 g e medindo 49 cm, sem intercorrências, e tendo alta após 24 horas do nascimento. Prénatal sem alterações. As emissões otoacústicas evocadas, realizadas duas vezes, e o potencial evocado do tronco encefálico mostram-se alterados (respostas não satisfatórias). Foi realizado um novo potencial evocado do tronco encefálico e o resultado mostra-se normal. O exame físico atual não apresenta alterações, assim como o crescimento e o desenvolvimento da criança. Na situação descrita, a conduta adequada é o acompanhamento audiológico do paciente na unidade:
BERA normal após falha inicial em lactente sem risco → Seguimento do desenvolvimento na UBS.
Se os exames auditivos (EOA e BERA) normalizam em uma criança sem fatores de risco para perda auditiva progressiva, a conduta é o acompanhamento do desenvolvimento na Atenção Básica.
A Triagem Auditiva Neonatal Universal (TANU) é essencial para a detecção precoce de deficiências auditivas, permitindo intervenção antes dos 6 meses de vida para garantir o desenvolvimento adequado da linguagem. O protocolo 'teste-reteste' é comum, pois secreções no conduto auditivo externo ou orelha média nos primeiros dias de vida podem gerar falsos-positivos nas EOA. No caso de um lactente que normaliza o BERA e não apresenta fatores de risco, a vigilância epidemiológica e clínica deve ser mantida pelo médico de família ou pediatra na UBS. Isso inclui observar se a criança reage a sons altos, localiza a fonte sonora e inicia a balbuciação nos prazos esperados.
Quando o Potencial Evocado do Tronco Encefálico (BERA/PEATE) resulta normal, ele indica que a via auditiva até o tronco encefálico está íntegra no momento do exame. Se a criança não possui indicadores de risco para deficiência auditiva (como histórico familiar, infecções congênitas, permanência em UTI neonatal > 5 dias), a conduta adequada é o acompanhamento do desenvolvimento da audição e da linguagem na Unidade Básica de Saúde (UBS), monitorando os marcos do desenvolvimento.
Os principais indicadores incluem: permanência em UTI por mais de 5 dias, ventilação mecânica, uso de drogas ototóxicas (aminoglicosídeos), hiperbilirrubinemia com necessidade de exanguíneotransfusão, infecções congênitas (TORCH), anomalias craniofaciais e histórico familiar de surdez congênita. Crianças com esses riscos precisam de acompanhamento especializado mesmo com triagem inicial normal, devido ao risco de perda auditiva tardia ou progressiva.
As Emissões Otoacústicas (EOA) avaliam a função das células ciliadas externas da cóclea (orelha interna). É um exame de triagem rápido. O BERA (ou PEATE) avalia a integridade eletrofisiológica da via auditiva desde o nervo auditivo até o tronco encefálico. O BERA é frequentemente usado como teste de diagnóstico ou para reteste quando as EOA falham, sendo mais fidedigno para detectar neuropatias auditivas.
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