Triagem Auditiva Neonatal: Entendendo o Teste da Orelhinha

HFA - Hospital das Forças Armadas (DF) — Prova 2020

Enunciado

Um exame físico completo deve ser realizado na primeira consulta de puericultura. Considerando essa informação, julgue o item a seguir. O teste da orelhinha consiste em procedimentos eletrofisiológicos objetivos e a ausência de otoemissões deve-se ao funcionamento coclear alterado, pois a presença de componente obstrutivo condutivo nas várias partes da orelha não são detectados por esse teste.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

EOA (Orelhinha) alterada → Pode ser lesão coclear OU obstrução condutiva (ex: vernix).

Resumo-Chave

As Emissões Otoacústicas dependem da integridade do sistema condutor; qualquer obstrução no conduto ou orelha média impede a captação do som.

Contexto Educacional

O Teste da Orelhinha (Emissões Otoacústicas Evocadas) é o padrão para triagem auditiva universal em neonatos sem indicadores de risco. Sua principal função é avaliar a integridade coclear (células ciliadas externas). No entanto, sua eficácia depende totalmente da transparência da via aérea auditiva (orelha externa e média). A presença de vernix caseoso é a causa mais comum de falso-positivo nas primeiras 24-48 horas de vida. Por isso, a afirmação de que componentes obstrutivos não são detectados é incorreta; na verdade, eles impedem a detecção das emissões, simulando uma alteração coclear. O entendimento desse fluxo é vital para evitar ansiedade familiar desnecessária e garantir o seguimento adequado.

Perguntas Frequentes

O que são as emissões otoacústicas (EOA)?

As emissões otoacústicas são sons de fraca intensidade gerados pelas células ciliadas externas da cóclea quando estas são estimuladas. Elas refletem a integridade do mecanismo de amplificação coclear. O teste da orelhinha utiliza uma pequena sonda colocada no conduto auditivo externo que emite um som e capta o eco (a emissão) de volta, sendo um método rápido, indolor e objetivo para triagem neonatal.

Por que o componente condutivo interfere no teste da orelhinha?

Para que a sonda capte a emissão otoacústica, o som deve viajar da cóclea, passar pela orelha média (ossículos) e pelo conduto auditivo externo. Se houver qualquer obstrução, como vernix caseoso no conduto, líquido na orelha média (otite serosa neonatal) ou malformações, o som não será captado, resultando em um teste 'falho' (ausente), mesmo que a cóclea esteja normal.

Qual a conduta após uma falha no teste da orelhinha?

Caso o recém-nascido não passe na primeira triagem (EOA ausente), a conduta inicial é o reteste em até 30 dias, após limpeza do conduto ou resolução de quadros gripais. Se a falha persistir no reteste, a criança deve ser encaminhada para avaliação diagnóstica completa com o Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico (PEATE/BERA) para diferenciar perdas condutivas de sensorioneurais.

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