AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2024
Em relação ao prognóstico do choque, a chamada "tríade da morte" consiste em:
Tríade da morte = Hipotermia + Acidose Metabólica + Coagulopatia.
A tríade da morte é um ciclo vicioso onde a acidose e a hipotermia inibem a cascata de coagulação, agravando o sangramento e perpetuando o choque hipovolêmico.
A tríade da morte é o pilar fisiopatológico que justifica a estratégia de Cirurgia de Controle de Danos (Damage Control Surgery). Em vez de realizar procedimentos definitivos longos em pacientes exauridos, o cirurgião foca no controle rápido da hemorragia e da contaminação, permitindo que o paciente seja estabilizado em UTI para correção da temperatura, do pH e da coagulopatia antes de retornar ao centro cirúrgico. O reconhecimento precoce desses sinais é crucial para a sobrevivência no trauma grave.
A tríade da morte, ou tríade letal, é um conjunto de três condições fisiopatológicas — hipotermia, acidose metabólica e coagulopatia — que frequentemente ocorrem em pacientes com trauma grave e hemorragia maciça. Essas condições se retroalimentam: a acidose e a hipotermia prejudicam a função enzimática da cascata de coagulação, o que leva a mais sangramento, agravando o choque e a acidose, criando um ciclo de difícil reversão que aumenta drasticamente a mortalidade se não for interrompido precocemente.
A hipotermia (temperatura central < 35°C) inibe diretamente a atividade das enzimas da cascata de coagulação e reduz a função plaquetária. No trauma, a exposição ambiental, a infusão de fluidos frios e a perda de sangue contribuem para a queda da temperatura. Como as enzimas da coagulação são dependentes de temperatura para funcionar de forma otimizada, o resfriamento do paciente impede a formação eficaz de coágulos, resultando em coagulopatia clínica mesmo na presença de fatores de coagulação suficientes.
O choque hemorrágico causa hipoperfusão tecidual, levando as células a mudarem do metabolismo aeróbico para o anaeróbico. Isso resulta na produção excessiva de ácido lático, gerando acidose metabólica. A acidose reduz a contratilidade miocárdica e a sensibilidade às catecolaminas, além de, assim como a hipotermia, interferir na atividade dos fatores de coagulação. O manejo foca na restauração da perfusão (reposição volêmica/hemotransfusão) para reverter a produção de lactato.
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