Trauma Grave: Revertendo a Tríade Letal Pós-Controle de Danos

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2019

Enunciado

Homem, 27a, vítima de atropelamento por caminhão, foi socorrido pelo atendimento pré-hospitalar que realizou via aérea definitiva. Exame físico na unidade de emergência: PA = 60 x 40 mmHg; FC = 146 bpm; FR = 18 irpm; Oximetria de pulso = 99%; Abdome: distendido, tenso. Focused Abdominal Sonography for Trauma (FAST) = positivo nos três espaços intraperitoneais e negativo na janela pericárdica. Submetido a laparotomia exploradora: lacerações sangrantes em mesentério e no baço; lesão extensa em intestino delgado. No intraoperatório apresentou: T = 35ºC; RNI = 2,0; pH = 7,29; paCO2 = 34 mmHg; paO2 = 132 mmHg; Base Excess = -7 mmol/L; lactato = 8,3mmol/L; Hematócrito= 24%; hemoglobina = 7,2 g/dL; leucócitos = 16.800mm³. Decidiu-se pela cirurgia de Controle de Danos. AS CONDUTAS NA UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA VISAM:

Alternativas

  1. A) Programar extubação nas próximas 6 horas considerando o nível de paO2.
  2. B) Manter hipotermia para proteção tecidual.
  3. C) Infundir solução fisiológica para correção do lactato.
  4. D) Reverter a acidose, a coagulopatia e a hipotermia.

Pérola Clínica

Tríade letal do trauma (acidose, coagulopatia, hipotermia) → reversão na UTI pós-controle de danos.

Resumo-Chave

A cirurgia de controle de danos é uma estratégia para pacientes com trauma grave e instabilidade fisiológica, focando em controlar a hemorragia e a contaminação. A fase de UTI é crucial para corrigir a tríade letal (acidose, coagulopatia e hipotermia), que agrava o sangramento e a disfunção orgânica.

Contexto Educacional

O trauma grave é uma das principais causas de mortalidade e morbidade, especialmente em jovens. Pacientes vítimas de atropelamento por veículos pesados frequentemente apresentam lesões múltiplas e complexas, levando a um quadro de choque hemorrágico e disfunção orgânica. A identificação precoce e o manejo agressivo são cruciais para a sobrevida. A cirurgia de controle de danos é uma abordagem estratégica para pacientes com trauma grave e instabilidade fisiológica, onde a cirurgia definitiva imediata seria muito prolongada e agravaria a "tríade letal": hipotermia, acidose metabólica e coagulopatia. Essa tríade forma um ciclo vicioso que perpetua o sangramento e a disfunção orgânica. O objetivo inicial é controlar a hemorragia e a contaminação, e então transferir o paciente para a UTI para otimização fisiológica. Na Unidade de Terapia Intensiva, as condutas visam reverter a tríade letal. Isso inclui o aquecimento ativo para combater a hipotermia, a correção da acidose metabólica através de ressuscitação volêmica adequada, controle da fonte de sangramento e, se necessário, uso de bicarbonato. A coagulopatia é abordada com a transfusão de hemoderivados (concentrado de hemácias, plasma fresco congelado, plaquetas) e, em alguns casos, fatores de coagulação. A estabilização desses parâmetros é fundamental antes de uma segunda abordagem cirúrgica definitiva.

Perguntas Frequentes

Quais são os componentes da tríade letal no trauma e por que são perigosos?

A tríade letal é composta por hipotermia, acidose metabólica e coagulopatia. Eles formam um ciclo vicioso que agrava o sangramento, dificulta a ressuscitação e aumenta a mortalidade em pacientes traumatizados.

O que é a cirurgia de controle de danos e qual seu objetivo principal?

A cirurgia de controle de danos é uma estratégia em pacientes com trauma grave e instabilidade fisiológica, visando controlar rapidamente a hemorragia e a contaminação, postergando a reparação definitiva para quando o paciente estiver estabilizado na UTI.

Quais são as prioridades no manejo de UTI após uma cirurgia de controle de danos?

As prioridades incluem o aquecimento do paciente para corrigir a hipotermia, a correção da acidose metabólica através de ressuscitação volêmica e controle da fonte de sangramento, e a reversão da coagulopatia com transfusão de hemoderivados.

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