Tríade Letal do Trauma: Acidose, Hipotermia e Coagulopatia

HCE - Hospital Central do Exército (RJ) — Prova 2015

Enunciado

A tríade letal dos pacientes com choque hipovolêmico submetidos à ressuscitação volêmica é constituída de:

Alternativas

  1. A) Acidose, hipotermia e coagulopatia;
  2. B) Alcalose, hipotermia e coagulopatia;
  3. C) Hipotensão, hipotermia e coagulopatia;
  4. D) Hipotensão, acidose e hipotermia; 
  5. E) Acidose, hipotensão e coagulopatia.

Pérola Clínica

Tríade letal do trauma: acidose, hipotermia e coagulopatia.

Resumo-Chave

A tríade letal (acidose, hipotermia e coagulopatia) é uma cascata de eventos interligados que piora o prognóstico em pacientes com choque hipovolêmico grave, especialmente em trauma. O manejo visa quebrar esse ciclo vicioso.

Contexto Educacional

A tríade letal do trauma, composta por acidose, hipotermia e coagulopatia, representa um ciclo vicioso de eventos fisiopatológicos que se auto-perpetuam e são frequentemente observados em pacientes com choque hipovolêmico grave, especialmente após trauma. O reconhecimento e a interrupção precoce dessa tríade são cruciais para a sobrevida do paciente e são pilares do manejo moderno do trauma e da ressuscitação. A acidose metabólica é um resultado direto da hipoperfusão tecidual e do metabolismo anaeróbico, levando à produção de lactato. A acidose deprime a função miocárdica, diminui a eficácia das catecolaminas e, mais importante, inibe a atividade das enzimas da cascata de coagulação. A hipotermia, frequentemente induzida pela exposição ambiental, administração de fluidos frios e perda de calor, agrava a coagulopatia ao inibir as enzimas da coagulação e prejudicar a função plaquetária. A coagulopatia, por sua vez, leva a um sangramento incontrolável, que exacerba o choque, a hipoperfusão e, consequentemente, a acidose e a hipotermia. O manejo visa quebrar esse ciclo através da ressuscitação hemostática (transfusão balanceada de hemoderivados), controle da fonte de sangramento, aquecimento ativo do paciente e correção da acidose. Para residentes, compreender a interconexão desses fatores é vital para uma abordagem eficaz em situações de emergência.

Perguntas Frequentes

Como a acidose metabólica contribui para a tríade letal no choque hipovolêmico?

A acidose metabólica, resultante da hipoperfusão e metabolismo anaeróbico, deprime a função miocárdica, diminui a resposta a catecolaminas e, crucialmente, inibe a função das enzimas da cascata de coagulação, agravando o sangramento.

Qual o papel da hipotermia na tríade letal e como preveni-la?

A hipotermia (temperatura corporal < 35°C) inibe as enzimas da cascata de coagulação, prejudica a função plaquetária e aumenta a fibrinólise. Sua prevenção envolve aquecimento ativo do paciente, fluidos aquecidos e manutenção de um ambiente térmico adequado.

Como a coagulopatia se manifesta e é tratada no contexto da tríade letal?

A coagulopatia se manifesta por sangramento persistente e incontrolável. É tratada com transfusão de hemoderivados (concentrado de hemácias, plasma fresco congelado, plaquetas, crioprecipitado) em proporções balanceadas, conforme protocolos de ressuscitação hemostática.

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