INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024
Um homem de 28 anos é trazido ao hospital pelo SAMU 40 minutos após ter sofrido atropelamento. Ele foi encontrado desacordado no local do acidente, apresentando Glasgow 6. Ao chegar à unidade de saúde, apresentava Glasgow 3, pressão arterial de 150 × 100 mmHg, irregularidade respiratória e frequência cardíaca de 50 batimentos por minuto, sendo realizada a intubação orotraqueal. Ao exame físico, apresenta-se em mau estado geral, paciente em uso de ventilação mecânica com ausência de ruídos adventícios à ausculta respiratória. O paciente está comatoso, com Glasgow 3 e com pupilas isocóricas e midriáticas, constata-se, ainda, reflexos fotomotores direto e consensual ausentes; reflexo córneo-palpebral ausente e reflexo óculo-cefálico ausente. Paciente sem sedação. Foi levantada a hipótese diagnóstica de hipertensão intracraniana pela equipe médica.Diante dessas informações, o achado clínico que confirma essa hipótese é a presença de
TCE grave + Glasgow 3 + PA ↑ + FC ↓ + Respiração irregular = Tríade de Cushing → Hipertensão Intracraniana.
A tríade de Cushing (hipertensão arterial, bradicardia e irregularidade respiratória) é um sinal tardio e grave de hipertensão intracraniana (HIC), indicando compressão do tronco cerebral. Sua presença em um paciente com TCE grave e Glasgow 3 é um achado clínico confirmatório de HIC.
A hipertensão intracraniana (HIC) é uma condição grave e potencialmente fatal, frequentemente associada a traumas cranioencefálicos (TCE) graves. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são cruciais para a sobrevida e o prognóstico neurológico do paciente. A tríade de Cushing é um achado clínico clássico e de extrema importância, pois indica que a pressão intracraniana atingiu níveis críticos, comprometendo a perfusão cerebral e levando à compressão do tronco encefálico. A tríade é composta por hipertensão arterial (geralmente com pressão de pulso alargada), bradicardia e alterações do padrão respiratório (como respiração de Cheyne-Stokes ou irregular). Esses sinais refletem a tentativa do corpo de manter o fluxo sanguíneo cerebral diante da pressão elevada. Em um paciente com TCE grave, como o descrito no caso (Glasgow 3, pupilas midriáticas e reflexos de tronco ausentes), a presença da tríade de Cushing é um forte indicativo de HIC e um alerta para a iminência de herniação cerebral. Para residentes, é imperativo dominar a avaliação neurológica em pacientes com TCE, incluindo a Escala de Coma de Glasgow e a pesquisa de reflexos de tronco. A identificação da tríade de Cushing deve levar a medidas urgentes para reduzir a pressão intracraniana, como elevação da cabeceira, hiperventilação controlada, manitol ou salina hipertônica, e, se necessário, drenagem ventricular ou craniectomia descompressiva. A agilidade no reconhecimento e intervenção pode ser determinante para o desfecho do paciente.
A Tríade de Cushing consiste em hipertensão arterial (com aumento da pressão de pulso), bradicardia e irregularidade respiratória. Ela indica uma resposta compensatória do corpo à hipertensão intracraniana, tentando manter a perfusão cerebral, mas também sinaliza compressão do tronco cerebral e risco de herniação.
A Escala de Coma de Glasgow (ECG) é fundamental para avaliar o nível de consciência e a gravidade do TCE, auxiliando na decisão de intubação e na monitorização da evolução neurológica do paciente. Um Glasgow ≤ 8 indica TCE grave e necessidade de intubação.
Além da tríade de Cushing, outras manifestações incluem cefaleia intensa, vômitos em jato, papiledema (sinal tardio), alterações do nível de consciência, déficits neurológicos focais e alterações pupilares, como anisocoria ou midríase fixa unilateral ou bilateral.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo