FUBOG - Fundação Banco de Olhos de Goiás — Prova 2022
Paciente, sexo masculino, adulto, vítima de acidente de automóvel grave, em atendimento pré-hospitalar. Os socorristas encontram o paciente consciente, confuso e sem sangramentos exsanguinantes, com via aérea pérvia e ausência de estase de jugular e desvio de traqueia. O tórax do paciente, íntegro e sem crepitações, com frequência respiratória levemente elevada. Presença de sangramento no couro cabeludo, na região temporoparietal direita, sendo possível constatar pele quente e corada, frequência cardíaca discretamente elevada, tempo de enchimento capilar < 2 segundos, estabilidade pélvica e integridade dos ossos e membros. No exame neurológico, os socorristas identificaram pupilas isocóricas e fotorreagentes, bem como ECG de 13 (RO: 3, RV: 4 e RM: 6). A avaliação secundária foi realizada dentro da ambulância, sendo identificadas equimose periorbital, equimose retroauricular e rinorragia. Sinais vitais: FC = 110 bpm, FR = 22 ipm, PA = 120 x 80 mmHg, SpO2 = 97%. Ao chegar ao centro de trauma, foi submetido a uma Tomografia Computadorizada (TC) de crânio após 1 hora, a qual indicou fratura de ossos zigomático e vômer, além de um hematoma. Pouco depois da saída do exame, foi percebido um rebaixamento de consciência do paciente, que evoluiu para uma ECG de 9 (RO: 2, RV: 3 e RM: 4), sendo necessário intubação orotraqueal, com uso de Etomidato para a sua indução. Dados os achados da TC e a evolução do paciente para um quadro de descompensação da hipertensão intracraniana, foi necessária a realização de craniotomia descompressiva. Considerando tais informações, os sinais da tríade que poderiam remeter ao quadro de descompensação do traumatismo cranioencefálico apresentado pelo paciente são:
Tríade de Cushing (Bradicardia + Hipertensão + Bradipneia) → sinal tardio de hipertensão intracraniana grave.
A Tríade de Cushing (bradicardia, hipertensão arterial e bradipneia/respiração irregular) é um sinal clássico, porém tardio, de descompensação da hipertensão intracraniana grave, indicando compressão do tronco cerebral e iminência de herniação.
O traumatismo cranioencefálico (TCE) é uma das principais causas de morbimortalidade em todo o mundo, e a identificação precoce de sinais de deterioração neurológica é crucial para um manejo eficaz. A hipertensão intracraniana (HIC) é uma complicação grave do TCE, e sua descompensação pode levar a herniação cerebral e morte. A Tríade de Cushing é um conjunto de sinais fisiológicos que se manifesta em resposta à HIC grave e iminente herniação cerebral. Ela é caracterizada por bradicardia (diminuição da frequência cardíaca), hipertensão arterial (aumento da pressão arterial sistêmica para tentar manter a perfusão cerebral contra a alta PIC) e bradipneia ou padrão respiratório irregular (devido à disfunção do centro respiratório no tronco cerebral). Embora seja um sinal clássico, a Tríade de Cushing é considerada um achado tardio, indicando que a HIC já atingiu um estágio crítico. O reconhecimento rápido desses sinais permite a intervenção imediata, como a craniotomia descompressiva, para tentar reduzir a PIC e preservar a função cerebral. Para residentes, a compreensão da fisiopatologia e a capacidade de identificar a Tríade de Cushing são vitais no manejo de pacientes com TCE grave.
A Tríade de Cushing é composta por bradicardia (diminuição da frequência cardíaca), hipertensão arterial (aumento da pressão arterial) e bradipneia ou padrão respiratório irregular.
Ela indica uma resposta fisiológica do corpo à hipertensão intracraniana grave, refletindo a compressão do tronco cerebral e a iminência de herniação cerebral.
É considerada um sinal tardio porque aparece quando a pressão intracraniana já está muito elevada e o mecanismo compensatório do corpo está falhando, indicando uma emergência neurológica.
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