Tríade da Atleta Feminina: Manejo da Amenorreia e Fratura

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 23 anos, atleta profissional de atletismo apresenta fratura de stress tibial. Refere que se encontra em amenorreia há 2 anos. Nuligesta, em uso de preservativo como contraceptivo. Teste de gravidez negativo. Na avaliação da fratura observou-se que apresenta baixa densidade mineral óssea. Além do tratamento específico da fratura, a paciente foi orientada para reprogramação de seus treinos e adaptação da dieta para maior ingesta energética. Qual a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Contraceptivo hormonal combinado.
  2. B) Bifosfonato.
  3. C) Ingesta de doses elevadas de cálcio quelado.
  4. D) Musculação.

Pérola Clínica

Atleta jovem com amenorreia, fratura de stress e baixa DMO → Tríade da Atleta Feminina → Reposição estrogênica (CHC) e ajuste energético.

Resumo-Chave

A paciente apresenta a "Tríade da Atleta Feminina" (disponibilidade energética baixa, disfunção menstrual e baixa densidade mineral óssea), que leva à amenorreia hipotalâmica funcional e deficiência estrogênica. A reposição estrogênica com contraceptivo hormonal combinado, juntamente com o ajuste da dieta e treino, é fundamental para restaurar a saúde óssea e menstrual.

Contexto Educacional

A Tríade da Atleta Feminina é uma síndrome clínica que afeta mulheres atletas, caracterizada por baixa disponibilidade energética (com ou sem transtorno alimentar), disfunção menstrual (amenorreia ou oligomenorreia) e baixa densidade mineral óssea. Esta condição é de grande importância clínica, pois pode levar a sérias consequências para a saúde, como fraturas de stress e osteoporose precoce, além de comprometer o desempenho atlético. A fisiopatologia central envolve a baixa disponibilidade energética, que suprime o eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, resultando em amenorreia hipotalâmica funcional e consequente hipoestrogenismo. A deficiência de estrogênio é o principal fator que contribui para a perda de massa óssea, pois o estrogênio desempenha um papel crucial na regulação do metabolismo ósseo. A fratura de stress é uma manifestação comum da fragilidade óssea nesse contexto. O manejo da Tríade da Atleta Feminina é multifacetado e deve incluir uma abordagem interdisciplinar. Além da reprogramação dos treinos e da adaptação da dieta para aumentar a disponibilidade energética, a reposição hormonal com contraceptivos hormonais combinados é uma conduta essencial para restaurar os níveis de estrogênio, melhorar a densidade mineral óssea e regular o ciclo menstrual. O objetivo é prevenir danos ósseos irreversíveis e otimizar a saúde geral da atleta.

Perguntas Frequentes

Quais são os componentes da Tríade da Atleta Feminina?

A Tríade da Atleta Feminina é composta por três condições inter-relacionadas: baixa disponibilidade energética (com ou sem transtorno alimentar), disfunção menstrual (amenorreia ou oligomenorreia) e baixa densidade mineral óssea.

Por que a amenorreia afeta a densidade mineral óssea em atletas?

A amenorreia em atletas é frequentemente causada por deficiência estrogênica, resultante da baixa disponibilidade energética. O estrogênio é crucial para a manutenção da massa óssea, e sua deficiência leva à perda óssea e aumento do risco de fraturas de stress.

Qual o papel do contraceptivo hormonal combinado no tratamento da Tríade da Atleta?

O contraceptivo hormonal combinado fornece estrogênio exógeno, que ajuda a restaurar a densidade mineral óssea e regular o ciclo menstrual, sendo uma parte importante do tratamento, juntamente com a otimização da dieta e do treinamento.

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