TRM Pediátrico: SCIWORA e Choque Espinal em Crianças

IOG - Instituto de Olhos de Goiânia — Prova 2020

Enunciado

Sobre os traumatismos raquimedulares em pediatria, julgue os itens a seguir. I. Os traumas raquimedulares sem lesão radiográfica são mais comuns em crianças que em adultos e se apresentam em duas formas distintas, de acordo com a faixa etária acometida. II. Os traumas raquimedulares sem lesão radiográfica costumam decorrer de traumas mais graves, quanto maior a idade de ocorrência.III. As lesões medulares mais graves podem transcorrer com choque espinal, que pode persistir por até 4 semanas após o trauma. IV. Mesmo em lesões medulares graves, menos de 10% dos pacientes costumam apresentar trauma craniano associado.Pode-se afirmar que:

Alternativas

  1. A) todos os itens estão certos.
  2. B) apenas os itens I, II e IV estão certos
  3. C) apenas os itens I e IV estão certos.
  4. D) apenas os itens I, II e III estão certos.
  5. E) apenas os itens I e III estão certos.

Pérola Clínica

TRM sem lesão radiográfica (SCIWORA) mais comum em crianças; choque espinal pode durar até 4 semanas.

Resumo-Chave

Traumatismos raquimedulares em crianças frequentemente se apresentam sem lesões visíveis em radiografias (SCIWORA), devido à maior elasticidade da coluna pediátrica. O choque espinal, uma condição de arreflexia e flacidez após lesão medular, pode persistir por semanas.

Contexto Educacional

O traumatismo raquimedular (TRM) em pediatria apresenta características distintas em comparação com adultos, principalmente devido às diferenças anatômicas e biomecânicas da coluna vertebral em desenvolvimento. A maior elasticidade dos tecidos, a imaturidade óssea e a musculatura cervical menos desenvolvida tornam as crianças mais suscetíveis a lesões medulares sem fraturas ou luxações vertebrais, condição conhecida como SCIWORA (Spinal Cord Injury Without Radiographic Abnormality). O SCIWORA é mais comum em crianças menores, e sua ocorrência não está diretamente relacionada à gravidade do trauma com a idade, mas sim à flexibilidade da coluna. As lesões medulares graves podem levar ao choque espinal, uma condição de arreflexia e flacidez abaixo do nível da lesão, que pode persistir por até 4 semanas. É crucial diferenciar o choque espinal do choque neurogênico, que envolve hipotensão e bradicardia devido à disfunção autonômica. O manejo inicial do TRM pediátrico envolve imobilização adequada da coluna, avaliação neurológica detalhada e exames de imagem (radiografias, TC e RM, sendo a RM o padrão-ouro para SCIWORA). O tratamento é de suporte, visando prevenir lesões secundárias e otimizar a recuperação neurológica. A associação com trauma craniano é comum, mas a questão afirma que menos de 10% dos pacientes com lesões medulares graves apresentam trauma craniano associado, o que é incorreto, pois a incidência é maior.

Perguntas Frequentes

O que é SCIWORA e por que é mais comum em crianças?

SCIWORA (Spinal Cord Injury Without Radiographic Abnormality) é uma lesão medular sem evidência de fratura ou luxação em radiografias. É mais comum em crianças devido à maior elasticidade da coluna vertebral, ligamentos mais frouxos e musculatura cervical mais fraca, permitindo que a medula seja estirada sem dano ósseo.

Quais são as fases do choque espinal e quanto tempo ele pode durar?

O choque espinal é uma perda temporária da função neurológica abaixo do nível da lesão medular. Ele se manifesta por arreflexia, flacidez e perda do tônus. Pode durar de horas a semanas, com a recuperação dos reflexos sendo um sinal de sua resolução.

Quais são os sinais de alerta de um TRM em crianças?

Sinais de alerta incluem dor cervical ou dorsal, alterações neurológicas (fraqueza, parestesia, paralisia), alterações respiratórias, disfunção vesical ou intestinal, e qualquer mecanismo de trauma de alta energia, mesmo sem achados radiográficos.

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