USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021
Paciente de 25 anos foi trazido à sala de urgência após ter sido vítima de espancamento há cerca de 8 horas. Sua avaliação inicial confirmou diagnóstico de traumatismo raquimedular cervical, sem outras lesões traumáticas. Após 2 horas de internação, passou a apresentar quadro clínico compatível com insuficiência respiratória. Qual a conduta?
TRM cervical com IR → Intubação imediata para proteger via aérea e garantir ventilação adequada.
Pacientes com traumatismo raquimedular cervical, especialmente em níveis altos (C3-C5), podem desenvolver insuficiência respiratória devido à disfunção do diafragma e dos músculos intercostais. A intubação orotraqueal é a conduta de escolha para garantir a via aérea e a ventilação, prevenindo a hipóxia e hipercapnia.
O traumatismo raquimedular cervical (TRM) é uma condição grave que pode levar a disfunções neurológicas significativas, incluindo a insuficiência respiratória. A medula espinhal cervical contém os núcleos do nervo frênico (C3-C5), que controlam o diafragma, e os nervos que inervam os músculos intercostais. Lesões nesses níveis podem comprometer severamente a capacidade respiratória, resultando em hipoventilação, hipóxia e hipercapnia. A insuficiência respiratória em pacientes com TRM cervical pode ser aguda e progressiva, exigindo intervenção imediata. A avaliação da via aérea e da respiração é a prioridade máxima no atendimento inicial, seguindo os princípios do ATLS. Sinais como dispneia, uso de musculatura acessória, fala entrecortada, cianose ou alteração do nível de consciência indicam a necessidade de uma via aérea definitiva. A intubação orotraqueal é a conduta de escolha para garantir a ventilação e oxigenação adequadas. É fundamental que a intubação seja realizada com técnicas que minimizem o movimento da coluna cervical, como a estabilização manual em linha (MILS) e, se possível, com auxílio de videolaringoscopia. A cricotireoidostomia é reservada para situações de 'não intuba, não ventila', enquanto a ventilação não invasiva geralmente não é apropriada para pacientes com insuficiência respiratória aguda e risco de deterioração rápida em TRM cervical.
Lesões na medula espinhal cervical alta (especialmente C3-C5) podem afetar o nervo frênico, que inerva o diafragma, e os nervos dos músculos intercostais, levando à paralisia ou fraqueza respiratória e consequente insuficiência.
A prioridade é garantir uma via aérea patente e ventilação adequada, minimizando o movimento da coluna cervical. A intubação orotraqueal é a técnica preferencial, utilizando técnicas que protejam a coluna cervical, como a intubação com sequência rápida e estabilização manual em linha.
A cricotireoidostomia é uma via aérea cirúrgica de emergência, indicada apenas quando a intubação orotraqueal falha ou é contraindicada, e o paciente não pode ser ventilado por outros meios. Não é a primeira escolha em TRM cervical.
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