Trauma Esplênico Pediátrico: Conduta Inicial e Manejo

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2021

Enunciado

Menino, 8a, vítima de atropelamento, trazido à Unidade de Emergência. Exame físico: descorada++/+4, PA= 93x65 mmHg; FR= 18 irpm; FC= 100 bpm; oximetria de pulso (ar ambiente)= 97%; abdome: distendido; Glasgow= 15. Hb= 9,4 g/dL; Ht= 28%. Ultrassonografia abdominal: traumatismo esplênico grau III e moderada quantidade de líquido na cavidade.A CONDUTA INICIAL É:

Alternativas

  1. A) Reposição volêmica com coloides, tomografia de abdome e paracentese abdominal.
  2. B) Reposição hidroeletrolítica, internação em UTI e controle de hemoglobina.
  3. C) Concentrado de hemácias e laparotomia exploradora.
  4. D) Cateter venoso central, concentrado de hemácias e esplenectomia de urgência.

Pérola Clínica

Trauma esplênico pediátrico hemodinamicamente estável → manejo conservador com reposição volêmica e monitorização.

Resumo-Chave

Em crianças com traumatismo esplênico, mesmo com lesões de grau moderado e sinais de instabilidade inicial (como descoramento e taquicardia), a conduta inicial é a reposição volêmica com cristaloides e monitorização rigorosa em UTI, buscando o manejo conservador sempre que possível para preservar o baço. A transfusão de hemácias é indicada se houver instabilidade hemodinâmica persistente ou queda significativa da hemoglobina.

Contexto Educacional

O traumatismo esplênico é a lesão de órgão sólido mais comum em trauma abdominal contuso pediátrico. O manejo conservador é a regra em crianças, com taxas de sucesso superiores a 90%, devido à maior capacidade de cicatrização do baço infantil e à importância de preservar sua função imunológica. A conduta inicial foca na estabilização hemodinâmica com reposição volêmica agressiva (cristaloides isotônicos 20 mL/kg, repetível), controle da dor e monitorização contínua em ambiente de terapia intensiva. A transfusão de concentrado de hemácias é reservada para instabilidade persistente ou anemia sintomática. A avaliação por imagem (USG ou TC) é fundamental para graduar a lesão. Pacientes hemodinamicamente estáveis, mesmo com lesões de alto grau, podem ser manejados conservadoramente. A cirurgia (esplenectomia ou esplenorrafia) é indicada apenas em falha do tratamento conservador ou instabilidade refratária.

Perguntas Frequentes

Qual o objetivo principal do manejo do trauma esplênico em crianças?

O objetivo principal é o manejo conservador do baço, sempre que possível, devido à sua importância imunológica e à alta taxa de sucesso da conduta não operatória em pediatria.

Quando a laparotomia exploradora é indicada no trauma esplênico pediátrico?

A laparotomia exploradora é indicada em casos de instabilidade hemodinâmica persistente apesar da ressuscitação volêmica adequada, peritonite difusa ou outras lesões abdominais que exijam intervenção cirúrgica.

Quais são os sinais de instabilidade hemodinâmica em crianças com trauma?

Sinais incluem taquicardia persistente, hipotensão (relativa à idade), tempo de enchimento capilar prolongado, pulsos periféricos fracos, alteração do nível de consciência e diminuição do débito urinário.

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