TCE Pediátrico: Manejo da Hipertensão Intracraniana

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2024

Enunciado

Você está de plantão na Unidade de Pronto Atendimento quando a ambulância do SAMU chega transportando uma criança de cinco anos de idade que havia caído de uma laje e fora intubada, devido ao rebaixamento do nível de consciência com escala de coma de Glasgow igual a 4 no local do acidente. Na UPA, você realiza o atendimento inicial de acordo com o ATLS (Advanced Trauma Life Support) e observa que o quadro é de um traumatismo craniano exclusivo. Os sinais vitais do paciente são os seguintes: frequência cardíaca = 51 bpm; frequência respiratória = 22 ipm (mesma frequência do ventilador mecânico de transporte); temperatura = 36,8 °C; pressão arterial = 150 mmHg × 100 mmHg; saturação de O2 = 96%. A conduta mais indicada para esse caso é

Alternativas

  1. A) administrar manitol ou solução hipertônica.
  2. B) iniciar ressuscitação cardiopulmonar, devido à bradicardia.
  3. C) administrar adrenalina endovenosa, devido à bradicardia.
  4. D) manter o paciente em posição de Trendelenburg.
  5. E) iniciar nitroprussiato endovenoso, devido à hipertensão.

Pérola Clínica

TCE grave + bradicardia + hipertensão (reflexo de Cushing) → tratar hipertensão intracraniana com manitol/solução hipertônica.

Resumo-Chave

A tríade de Cushing (bradicardia, hipertensão e alteração do padrão respiratório) é um sinal tardio e grave de hipertensão intracraniana. Em um paciente com traumatismo cranioencefálico grave (Glasgow 4) e essa tríade, a conduta mais urgente é reduzir a pressão intracraniana, sendo o manitol ou a solução salina hipertônica as opções de primeira linha.

Contexto Educacional

O Traumatismo Cranioencefálico (TCE) é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças, e o manejo adequado é crucial para otimizar o prognóstico neurológico. A avaliação inicial segue os princípios do ATLS, com foco na estabilização das vias aéreas, respiração e circulação. Em casos de TCE grave, como o apresentado, a intubação e ventilação mecânica são frequentemente necessárias para proteger as vias aéreas e otimizar a oxigenação e ventilação, evitando hipóxia e hipercapnia, que podem agravar a lesão cerebral secundária. A hipertensão intracraniana (HIC) é uma complicação grave do TCE e deve ser prontamente identificada e tratada. Os sinais de HIC incluem rebaixamento do nível de consciência, alterações pupilares e, em estágios avançados, a tríade de Cushing (bradicardia, hipertensão arterial e padrão respiratório irregular). A bradicardia e a hipertensão, neste contexto, não devem ser tratadas como problemas cardíacos primários, mas sim como manifestações da HIC, que requer intervenção imediata para reduzir a pressão cerebral e prevenir a herniação. O tratamento da HIC visa reduzir o volume intracraniano e melhorar a perfusão cerebral. As medidas incluem elevação da cabeceira a 30 graus, sedação e analgesia adequadas, e o uso de agentes osmóticos. O manitol (0,25-1 g/kg IV) e a solução salina hipertônica (3% ou 7,5%, 2-5 mL/kg IV) são as drogas de escolha para o tratamento agudo da HIC, atuando ao criar um gradiente osmótico que retira água do cérebro. A escolha entre eles pode depender do estado volêmico do paciente, sendo a solução hipertônica preferível em casos de hipotensão ou hipovolemia. A monitorização da pressão intracraniana (PIC) é indicada em TCE grave para guiar o tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos de hipertensão intracraniana (HIC) em crianças com TCE?

Os sinais de HIC em crianças podem incluir rebaixamento do nível de consciência, cefaleia, vômitos em jato, papiledema (sinal tardio), e a tríade de Cushing (bradicardia, hipertensão e irregularidade respiratória), que indica HIC grave e iminente herniação cerebral.

Qual a fisiopatologia da tríade de Cushing e por que ela indica HIC grave?

A tríade de Cushing é uma resposta fisiológica à isquemia do tronco cerebral causada pela HIC. A hipertensão arterial é uma tentativa de manter a perfusão cerebral, enquanto a bradicardia é uma resposta reflexa vagal à hipertensão. A alteração respiratória reflete a disfunção do centro respiratório no tronco cerebral, indicando um estágio avançado de compressão.

Qual a diferença entre manitol e solução salina hipertônica no tratamento da HIC?

Ambos são agentes osmóticos que reduzem a HIC. O manitol atua puxando água do parênquima cerebral para o espaço intravascular. A solução salina hipertônica também cria um gradiente osmótico, mas tem a vantagem de expandir o volume intravascular, sendo útil em pacientes hipotensos ou hipovolêmicos, e pode ter um efeito mais prolongado.

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