Manejo do TCE Pediátrico: Indicações de Tomografia e ATLS

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2026

Enunciado

Menino, 10 anos de idade, caiu em pista de skate, enquanto descia rampa de cerca de 1 metro de altura. Perdeu a consciência de imediato, foi transportado para a Emergência, em carro particular. Apresenta laceração em couro cabeludo, em região parietal direita e fratura com desvio em antebraço direito. Foi colocado colar cervical, a expansão torácica é simétrica, com ausculta pulmonar e cardíaca sem alterações. O abdome é flácido, sem massas palpáveis. Tem FC = 110 bpm, FR = 24 mrm, PA 100/70 mmHg, SatO₂ 95%, pulsos palpáveis, Tec = 2 seg. Tem pupilas isocóricas e fotorreagentes, abre os olhos ao ser chamado, está confuso e retira o braço quando se toca o local da fratura. Foram puncionados 2 acessos venosos. A seguir, além de avaliação laboratorial da função renal, indica-se a realização de:

Alternativas

  1. A) Tomografia de crânio e de coluna cervical.
  2. B) Tipagem sanguínea e iniciar soro de manutenção com volume de 1/3 da necessidade diária.
  3. C) Sequência rápida para intubação nasotraqueal.
  4. D) Infusão de soro a 25 graus para diminuir o consumo de oxigênio.
  5. E) Inserção de cateter para monitoração de pressão intracraniana e redução da fratura de antebraço em centro cirúrgico.

Pérola Clínica

Trauma + Perda de consciência + Confusão mental → TC de crânio imediata (Regra PECARN/ATLS).

Resumo-Chave

Em pacientes pediátricos com trauma de alta energia e alteração do nível de consciência (Glasgow < 15), a prioridade é a exclusão de lesões intracranianas e cervicais via imagem.

Contexto Educacional

O manejo do trauma pediátrico segue a sistematização do ATLS (ABCDE). No 'D' (Disability), a avaliação neurológica é prioritária. Crianças possuem particularidades anatômicas, como uma cabeça proporcionalmente maior e musculatura cervical mais fraca, o que aumenta o risco de lesões por aceleração/desaceleração. A decisão de realizar tomografia deve balancear o risco de radiação com o risco de lesão intracraniana clinicamente importante (ciTBI). No entanto, em pacientes com Glasgow alterado ou perda de consciência prolongada, o benefício da TC supera amplamente os riscos, sendo o padrão-ouro para detecção de lesões que necessitam de intervenção neurocirúrgica imediata.

Perguntas Frequentes

Quais as indicações de TC de crânio no trauma pediátrico segundo o PECARN?

Para crianças acima de 2 anos, as indicações absolutas incluem: Escala de Coma de Glasgow (ECG) < 15, sinais de fratura de base de crânio ou alteração do estado mental (agitação, sonolência, respostas lentas). Indicações relativas incluem perda de consciência, vômitos persistentes, cefaleia intensa ou mecanismo de trauma grave. No caso apresentado, o paciente está confuso (ECG < 15), o que torna a TC obrigatória.

Por que solicitar TC de coluna cervical neste paciente?

Embora a incidência de lesão cervical em crianças seja menor que em adultos, o mecanismo de trauma (queda de altura) associado à perda de consciência e alteração do estado mental impede uma avaliação clínica confiável da coluna. Segundo os critérios de NEXUS ou Canadian C-Spine Rule, a alteração de consciência é um critério para imobilização e investigação radiológica.

Como avaliar a Escala de Coma de Glasgow neste caso?

O paciente abre os olhos ao chamado (3), está confuso (4) e retira o braço ao toque doloroso na fratura (5), totalizando 12 pontos. Qualquer pontuação abaixo de 15 em um trauma agudo exige vigilância rigorosa e, geralmente, exames de imagem para descartar hematomas epidurais, subdurais ou contusões parenquimatosas.

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