USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2023
Homem, 42 anos, vítima de colisão de moto contra anteparo fixo, com traumatismo craniano. Na sala de trauma, encontra-se entubado, em ventilação mecânica protetora. A tomografia de crânio mostra edema cerebral difuso, sem lesões focais ou sinais de hipertensão intracraniana.Qual é a conduta com relação ao trauma de crânio na Sala de Trauma?
TCE com edema difuso sem HIC → Proclive, controle temperatura, posição cervical neutra para otimizar perfusão cerebral.
Em pacientes com TCE e edema cerebral difuso sem sinais de hipertensão intracraniana (HIC), a conduta visa otimizar a perfusão cerebral e prevenir lesões secundárias. Manter a cabeceira elevada (proclive), controlar a temperatura corporal para evitar hipertermia e garantir a posição cervical neutra são medidas cruciais para o manejo inicial.
O traumatismo cranioencefálico (TCE) é uma das principais causas de morbimortalidade, especialmente em jovens. O manejo inicial na sala de trauma é crucial para minimizar a lesão cerebral secundária, que frequentemente é mais devastadora que a lesão primária. A avaliação rápida e a estabilização do paciente seguem os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), com foco na via aérea, respiração e circulação, além da avaliação neurológica. No contexto de edema cerebral difuso sem sinais de hipertensão intracraniana (HIC), as medidas visam otimizar o fluxo sanguíneo cerebral e a oxigenação, prevenindo fatores que possam agravar a lesão. A manutenção da pressão de perfusão cerebral (PPC) é primordial, sendo a PPC = PAM - PIC. Medidas simples como manter a cabeceira elevada a 30 graus (proclive) e a cabeça em posição neutra são eficazes para facilitar o retorno venoso cerebral e, consequentemente, reduzir a PIC. O controle da temperatura é fundamental, pois a hipertermia aumenta o metabolismo cerebral e pode agravar a lesão. A normotermia é o objetivo. Outras medidas incluem a manutenção da normocapnia (evitar hiperventilação profilática), normoglicemia e normovolemia. A monitorização da PIC é indicada em pacientes com TCE grave (Glasgow < 8) ou com alterações na TC que sugiram HIC. O uso de manitol ou solução salina hipertônica é reservado para casos de HIC estabelecida.
Os princípios incluem garantir via aérea, respiração e circulação, além de prevenir lesões cerebrais secundárias através do controle da pressão intracraniana e otimização da pressão de perfusão cerebral.
A posição proclive (cabeceira elevada a 30°) facilita o retorno venoso cerebral, reduzindo a PIC. A posição cervical neutra evita compressão de veias jugulares, também contribuindo para o retorno venoso e minimizando o aumento da PIC.
A hiperventilação é reservada para HIC refratária e por curtos períodos. A hipotermia terapêutica não é recomendada rotineiramente e seu uso é controverso, sem evidências claras de benefício na maioria dos casos de TCE.
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