UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020
Lactente 11 meses anos sofreu TCE por queda da própria altura, há duas horas, na escola. A professora relatou perda muito breve da consciência, mas que ele acordou e chorou imediatamente após ter sido estimulado. Chegou ao pronto-atendimento já acordado e bem orientado. Nega vômitos, cefaleia, irritabilidade ou sonolência. Exame neurológico: consciente; escala de coma de Glasgow = 15; pupilas isocóricas; reflexo foto motor preservado bilateralmente; motricidade ocular preservada; ausência de déficits motores ou sensoriais e de sinais de irritação meníngea. A conduta indicada, segundo o protocolo no Ministério da Saúde é
Lactente < 2 anos com TCE e perda de consciência (mesmo breve) → indicação de TC de crânio devido ao alto risco de lesão oculta.
Em lactentes menores de 2 anos com Traumatismo Cranioencefálico (TCE), mesmo com Glasgow 15 e exame neurológico normal, a presença de perda de consciência (mesmo que breve) é um fator de risco significativo para lesões intracranianas. Nesses casos, a tomografia de crânio é indicada para descartar lesões ocultas, conforme diretrizes pediátricas.
O Traumatismo Cranioencefálico (TCE) em crianças é uma causa comum de atendimento em pronto-socorro e representa um desafio diagnóstico, especialmente em lactentes, devido à dificuldade de avaliação neurológica e à apresentação atípica dos sintomas. A identificação precoce de lesões intracranianas é crucial para prevenir sequelas neurológicas graves. Protocolos como o PECARN (Pediatric Emergency Care Applied Research Network) fornecem diretrizes baseadas em evidências para a tomada de decisão sobre a necessidade de neuroimagem. Em lactentes menores de 2 anos, a presença de perda de consciência, mesmo que breve, é um sinal de alerta significativo. Diferente de crianças maiores ou adultos, lactentes podem ter lesões intracranianas importantes com um exame neurológico inicialmente normal ou com sintomas sutis. A tomografia de crânio é o exame de escolha para avaliar lesões intracranianas agudas, como hemorragias e fraturas. A decisão de realizar a TC deve ponderar o risco de radiação versus o risco de lesão não diagnosticada. No caso de um lactente de 11 meses com TCE e perda de consciência, mesmo que breve e com Glasgow 15, a conduta mais segura e indicada pelos protocolos é a realização da tomografia de crânio. A observação clínica isolada seria inadequada devido ao risco aumentado de lesões ocultas nessa faixa etária. A radiografia de crânio tem baixa sensibilidade para lesões intracranianas e não é recomendada como método de rastreamento para TCE.
Fatores de risco incluem alteração do estado mental (Glasgow <15), fratura de crânio palpável, sinais de fratura de base de crânio, vômitos persistentes, convulsões pós-traumáticas, mecanismo de trauma de alta energia e, em lactentes, perda de consciência ou irritabilidade.
Lactentes têm crânio mais fino, maior proporção cabeça/corpo, maior conteúdo de água cerebral e vasos sanguíneos mais frágeis, o que os torna mais vulneráveis a lesões intracranianas, mesmo com traumas de baixa energia. Seus sintomas também podem ser inespecíficos.
Para crianças <2 anos, os critérios incluem alteração do estado mental, fratura de crânio palpável, perda de consciência >5 segundos, mecanismo de trauma grave, hematoma não frontal ou vômitos. A presença de qualquer um desses indica a necessidade de TC de crânio.
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