Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2017
Criança de 1 ano é trazida ao pronto-atendimento por provável traumatismo de crânio devido a hematoma visível em fronte, após acidente automobilístico em que a babá que estava com ela no banco de trás foi ejetada do veículo. A criança está assustada, mas com Glasgow de 15, sem alterações ao exame físico. Você realiza radiografia de crânio a qual vem sem sinais de fratura. Sua conduta é:
TCE pediátrico com mecanismo de trauma grave, mesmo com Glasgow 15, indica TC de crânio para descartar lesões intracranianas.
Em crianças, o mecanismo de trauma grave (como ejeção de ocupante do veículo) é um fator de risco independente para lesão intracraniana, mesmo na ausência de sinais neurológicos focais ou alteração do nível de consciência (Glasgow 15). Nesses casos, a tomografia de crânio é indicada para uma avaliação mais detalhada.
O traumatismo cranioencefálico (TCE) em crianças é uma causa comum de atendimento em pronto-socorro e pode ter consequências graves. A avaliação inicial deve focar na estabilização do paciente e na identificação de sinais de alerta para lesão intracraniana. Embora a Escala de Coma de Glasgow (ECG) seja uma ferramenta essencial, em pediatria, o mecanismo do trauma e a idade da criança são fatores cruciais a serem considerados. Crianças pequenas podem ter lesões intracranianas significativas com sintomas sutis ou inespecíficos devido à plasticidade cerebral e à incapacidade de verbalizar queixas. Um mecanismo de trauma de alta energia, como um acidente automobilístico com ejeção de ocupante, é um forte indicativo de que uma avaliação mais aprofundada é necessária, mesmo que a criança esteja com um Glasgow de 15 e sem alterações ao exame físico inicial. A radiografia de crânio tem baixa sensibilidade para lesões intracranianas e não substitui a tomografia. A tomografia computadorizada (TC) de crânio é o exame de escolha para identificar rapidamente lesões intracranianas agudas. A decisão de realizar uma TC deve ponderar o risco de radiação versus o benefício de diagnosticar uma lesão potencialmente fatal. Em casos de mecanismo de trauma grave, o benefício da TC geralmente supera o risco, garantindo a segurança do paciente e a detecção precoce de condições que exigem intervenção neurocirúrgica.
Critérios incluem sinais de fratura, alteração do nível de consciência, sinais neurológicos focais, vômitos persistentes, cefaleia intensa, e mecanismo de trauma grave, mesmo com Glasgow normal.
O mecanismo de trauma grave (ex: queda de altura, acidente de alta energia, ejeção) é um preditor independente de lesão intracraniana e deve levar à consideração de exames de imagem, mesmo na ausência de outros sintomas.
A Escala de Coma de Glasgow é adaptada para lactentes e crianças pequenas, avaliando abertura ocular, resposta verbal (choro, balbucio) e resposta motora (movimento espontâneo, retirada à dor).
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