UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2021
Menino, pré-escolar, cinco anos, sofreu queda da altura de 1 metro há duas horas, com traumatismo crânio-encefálico. A família refere que a criança teve dois episódios de vômitos, mas não perdeu a consciência. Apresenta edema e escoriações na região frontal, onde refere dor. Está consciente, pupilas isocóricas, reflexo fotomotor preservado bilateralmente, motricidade ocular preservada, ausência de déficits motores ou sensoriais e de sinais de irritação meníngea. Glasgow: 15. A conduta indicada é:
TCE leve pediátrico (Glasgow 15, sem sinais de alerta) com vômitos isolados → Analgésicos e alta com orientações.
Em crianças com TCE leve (Glasgow 15), sem perda de consciência, sem sinais neurológicos focais e com vômitos isolados, a conduta pode ser a liberação com analgésicos e orientações claras aos pais sobre sinais de alerta para retorno. A observação hospitalar prolongada ou exames de imagem nem sempre são necessários.
O traumatismo cranioencefálico (TCE) é uma causa comum de atendimento em emergências pediátricas. A avaliação inicial de um TCE em crianças foca na determinação da gravidade, que é classicamente classificada pela Escala de Coma de Glasgow (ECG). O caso apresentado descreve um TCE leve (ECG 15), sem perda de consciência, sem déficits neurológicos focais e com vômitos isolados, que são comuns e nem sempre indicam lesão intracraniana grave. A conduta em TCE pediátrico leve é um ponto crucial para residentes. Embora os vômitos sejam um fator de preocupação, vômitos isolados (1-2 episódios) em um paciente com Glasgow 15, sem outros sinais de alerta (como sonolência progressiva, cefaleia intensa, convulsões, ou sinais de fratura de base de crânio), geralmente não justificam uma tomografia computadorizada de crânio imediata, devido à exposição à radiação. Nesses casos, a conduta mais apropriada é a analgesia para o conforto da criança e a liberação para observação domiciliar, com orientações claras e detalhadas aos pais sobre os sinais de alerta que indicariam a necessidade de retorno imediato ao pronto-socorro. A observação hospitalar por 24 horas é reservada para casos com mais fatores de risco ou dificuldade de observação domiciliar.
Sinais de alerta incluem sonolência progressiva, vômitos persistentes, convulsões, dor de cabeça intensa e progressiva, alteração da marcha ou fala, e qualquer mudança no comportamento ou nível de consciência da criança.
A TC de crânio é indicada em TCE moderado a grave, ou em TCE leve com fatores de risco como perda de consciência prolongada, convulsões, sinais neurológicos focais, fratura de crânio, ou mecanismo de trauma de alta energia.
Os pais devem ser orientados a observar a criança atentamente por 24-48 horas, evitar atividades extenuantes, oferecer dieta leve e retornar imediatamente ao hospital se qualquer sinal de alerta surgir.
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