INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023
Um pré-escolar de 4 anos é levado a uma unidade de pronto-atendimento devido a uma queda da própria altura há cerca de 30 minutos, tendo apresentado traumatismo em região occipital. Logo após a queda, a criança apresentou choro intenso e um único episódio de vômito. Ao exame físico, apresenta escala de coma de Glasgow de 15, exames físico e neurológico normais e ausência de evidências de fratura de crânio. Em relação à necessidade de realização de tomografia computadorizada (TC) de crânio para esse paciente, assinale a alternativa correta.
TCE leve pediátrico (GCS 15, neuro normal, 1 vômito) → baixo risco, sem TC imediata, observar.
Em crianças com TCE leve (GCS 15) e exame neurológico normal, um único episódio de vômito não é, por si só, uma indicação para TC de crânio imediata, de acordo com diretrizes como PECARN. A observação clínica é a conduta mais adequada para evitar a exposição desnecessária à radiação, que tem riscos cumulativos em crianças. A TC é reservada para sinais de alerta mais graves ou múltiplos fatores de risco.
O Traumatismo Cranioencefálico (TCE) é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças, sendo o TCE leve o mais comum. A decisão de realizar uma Tomografia Computadorizada (TC) de crânio em crianças com TCE é complexa, pois, embora a TC seja eficaz na detecção de lesões intracranianas, ela expõe a criança à radiação ionizante, com riscos potenciais a longo prazo, como o aumento da incidência de câncer. Por isso, diretrizes como os critérios PECARN (Pediatric Emergency Care Applied Research Network) foram desenvolvidas para auxiliar na tomada de decisão, buscando um equilíbrio entre a detecção de lesões e a minimização da exposição à radiação. Os critérios PECARN estratificam as crianças em grupos de baixo, médio e alto risco para lesão intracraniana clinicamente importante, com base em idade, mecanismo do trauma, estado de consciência, presença de vômitos, cefaleia, sinais de fratura de crânio e outros achados. Em crianças com TCE leve (GCS 15) e exame neurológico normal, um único episódio de vômito é considerado um fator de risco menor e, na ausência de outros sinais de alerta, a observação clínica é geralmente a conduta preferencial em vez da TC imediata. A radiografia simples de crânio tem um papel limitado no manejo do TCE, pois não detecta lesões intracranianas e tem baixa sensibilidade para fraturas de crânio sem desvio. Portanto, a conduta mais racional é a observação em casos de baixo risco, com reavaliações periódicas, e a realização de TC apenas se houver progressão dos sintomas ou surgimento de novos sinais de alerta. A educação dos pais sobre os sinais de alerta para retorno ao pronto-atendimento é fundamental.
Fatores de risco incluem alteração do nível de consciência (GCS < 15), fratura de crânio palpável, sinais de fratura de base de crânio, convulsões pós-traumáticas, vômitos múltiplos, cefaleia progressiva e mecanismo de trauma de alta energia em crianças pequenas.
Os critérios PECARN (Pediatric Emergency Care Applied Research Network) são ferramentas de decisão clínica que ajudam a estratificar o risco de lesão intracraniana clinicamente importante em crianças com TCE, orientando a necessidade de TC de crânio e reduzindo a exposição desnecessária à radiação.
Em um pré-escolar com TCE leve, GCS 15, exame neurológico normal e um único episódio de vômito, a conduta mais adequada é a observação clínica cuidadosa. A TC de crânio não é rotineiramente indicada, a menos que surjam outros sinais de alerta ou o vômito se torne persistente.
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