Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024
Lactente do sexo masculino, 1 ano e 3 meses de idade, é trazido à emergência após queda do sofá (cerca de 1 m de altura), com história de ter batido a região occipital da cabeça no chão. Pais negam perda de consciência ou vômitos após a queda. Ao exame, o lactente encontra-se em regular estado geral, escala de coma de Glasgow de 14, pupilas isocóricas e fotorreagentes, com presença de hematoma subgaleal em região occipital, porém sem sinais de fratura à palpação. Assinale a alternativa que apresenta a classificação do traumatismo cranioencefálico (TCE) desse paciente em relação à sua gravidade e à conduta recomendada nesse momento.
Lactente < 2 anos com TCE leve (Glasgow 14-15) + hematoma subgaleal → TC de crânio devido ao risco oculto.
Em lactentes < 2 anos, mesmo um TCE classificado como leve (Glasgow 14-15) com presença de hematoma subgaleal (especialmente não frontal) ou mecanismo de trauma significativo, exige maior cautela. A tomografia de crânio é frequentemente indicada devido à maior vulnerabilidade e dificuldade de avaliação neurológica completa nessa faixa etária.
O traumatismo cranioencefálico (TCE) em crianças é uma causa comum de atendimento em emergências pediátricas, sendo as quedas o principal mecanismo em lactentes. A avaliação do TCE pediátrico é desafiadora devido à dificuldade de comunicação e à maior vulnerabilidade do cérebro infantil. A importância clínica reside no risco de lesões intracranianas graves que, se não diagnosticadas e tratadas precocemente, podem levar a sequelas neurológicas permanentes ou óbito. A fisiopatologia das lesões cerebrais traumáticas em crianças difere dos adultos devido às características anatômicas e fisiológicas do crânio e cérebro em desenvolvimento, como a maior elasticidade óssea e o maior volume cerebral em relação ao crânio. O diagnóstico baseia-se na história clínica, exame físico e, quando indicado, exames de imagem. A Escala de Coma de Glasgow (ECG) é adaptada para a idade pediátrica. A suspeita de lesão intracraniana deve ser alta em lactentes com TCE, mesmo que classificado como leve, especialmente na presença de fatores de risco como hematoma subgaleal, perda de consciência, vômitos ou alteração do comportamento. A conduta no TCE pediátrico varia conforme a gravidade e a presença de fatores de risco. Para TCE leve, a observação domiciliar pode ser suficiente em casos de baixo risco. No entanto, em lactentes com fatores como hematoma subgaleal, a tomografia computadorizada de crânio é frequentemente recomendada para descartar lesões ocultas. O tratamento é de suporte, com monitorização neurológica e manejo de complicações. O prognóstico depende da extensão da lesão e da rapidez do diagnóstico e tratamento, sendo a prevenção fundamental.
O TCE é classificado como leve (Glasgow 14-15), moderado (Glasgow 9-13) ou grave (Glasgow < 8). Em lactentes, a avaliação do Glasgow pode ser adaptada, e sinais como irritabilidade, alteração do nível de consciência ou fontanela abaulada são importantes indicadores.
Lactentes têm maior proporção cabeça-corpo, fontanelas abertas e vasos mais frágeis, tornando-os mais suscetíveis a lesões intracranianas. O hematoma subgaleal, especialmente em regiões não frontais, pode indicar um impacto significativo e maior risco de lesão subjacente, justificando a TC para descartar hemorragias ou fraturas.
Fatores de risco incluem alteração do estado mental, perda de consciência prolongada, mecanismo de trauma de alta energia, sinais de fratura de crânio, fontanela abaulada, vômitos persistentes, convulsões e, em lactentes, a presença de hematoma subgaleal não frontal.
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