Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2026
Mulher, 72 anos, em uso de anticoagulantes (varfarina) por fibrilação atrial crônica, dá entrada no pronto-socorro após queda de própria altura. Apresenta lucidez inicial, mas se queixa de cefaleia severa e episódio de confusão transitória (orientação parcialmente prejudicada no local). Ao exame: Escala de Coma de Glasgow (ECG): 14 (AO:4; RV:4; RM:6), sem déficit focal evidente. Estável hemodinamicamente; sem outras lesões. De acordo com as atuais diretrizes do ATLS™ (11ª edição, 2025), a conduta para investigar possível traumatismo craniano deverá ser:
Idoso + Anticoagulante + GCS < 15 ou Cefaleia → TC de Crânio imediata.
No trauma cranioencefálico leve, a idade > 65 anos e o uso de anticoagulantes são critérios de alto risco que exigem neuroimagem imediata, independentemente da estabilidade clínica inicial.
O manejo do traumatismo cranioencefálico (TCE) leve em idosos exige atenção redobrada. A atrofia cerebral fisiológica aumenta o espaço subaracnoideo, permitindo que hematomas se expandam antes de causarem sintomas compressivos óbvios. Além disso, a fragilidade vascular e o uso frequente de medicações antitrombóticas elevam o risco de sangramento. O ATLS 11ª edição enfatiza que qualquer alteração no nível de consciência (GCS < 15) ou presença de fatores de risco como cefaleia persistente e idade avançada justifica a realização de Tomografia Computadorizada (TC) de crânio. A observação clínica isolada é perigosa nesses cenários, pois a deterioração pode ser súbita e irreversível.
Segundo o ATLS e regras como a Canadian CT Head Rule, incluem GCS < 15 após 2 horas, suspeita de fratura de base de crânio ou afundamento, vômitos (≥ 2 episódios) e idade ≥ 65 anos. Pacientes em uso de anticoagulantes ou antiagregantes plaquetários também devem ser triados com maior rigor para imagem imediata devido ao risco de hematomas expansivos.
O uso de varfarina aumenta drasticamente o risco de hemorragia intracraniana traumática, mesmo em traumas de baixa energia. Nesses casos, a TC de crânio é mandatória. Além da imagem, deve-se avaliar a necessidade de reversão da anticoagulação com complexo protrombínico ou plasma fresco congelado e vitamina K, dependendo do achado tomográfico e do INR.
O ATLS 11 reforça a importância da triagem criteriosa para TC e a vigilância em pacientes idosos. A escala de Glasgow continua sendo o pilar, mas o limiar para intervenção e imagem em grupos vulneráveis (idosos e anticoagulados) permanece baixo para evitar desfechos catastróficos por hematomas tardios ou progressivos.
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