SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2025
Um paciente de 25 anos de idade foi levado ao pronto-socorro pelo Corpo de Bombeiros com relato de ter sofrido atropelamento em via pública há 30 minutos. Chegou em protocolo de trauma, contactuante, mas apenas por palavras inapropriadas, murmúrios vesiculares fisiológicos bilateralmente. Ao exame físico, apresentou SatO2 = 92%, FR = 20 irpm, PA = 100 mmHg X 60 mmHg, FC = 100 bpm, movimento de flexão à pressão e abertura ocular ausente. Tinha uma ferida cortocontusa em região parietal, sem sangramento ativo.Considerando que, após a estabilização inicial do quadro, foram evidenciadas várias alterações agudas apresentadas na imagem, assinale qual achado não é caracterizado.
GCS ≤ 8 + Trauma → Proteção de via aérea (IOT) + TC de crânio imediata para excluir lesões expansivas.
O manejo do TCE grave foca na estabilização hemodinâmica e respiratória para evitar lesão secundária, seguido de diagnóstico por imagem para identificar hematomas cirúrgicos.
O traumatismo cranioencefálico (TCE) é uma das principais causas de morbimortalidade em adultos jovens. O atendimento inicial deve seguir rigorosamente o protocolo ATLS, priorizando a manutenção da pressão arterial sistólica > 100-110 mmHg e saturação de O2 > 94% para mitigar a lesão secundária. A Escala de Coma de Glasgow é a ferramenta prognóstica e de triagem fundamental, onde valores menores ou iguais a 8 exigem manejo avançado de via aérea. A tomografia computadorizada (TC) de crânio é o padrão-ouro para avaliação de lesões agudas. O hematoma subdural agudo é frequentemente associado a mecanismos de aceleração/desaceleração e possui prognóstico reservado devido ao dano parenquimatoso subjacente. Já a hemorragia intraparenquimatosa e as contusões cerebrais resultam de forças de impacto direto. A ausência de hematoma epidural em um quadro de trauma multilesional sugere que não houve ruptura de vasos arteriais meníngeos, que tipicamente geram o efeito de massa biconvexo clássico.
O hematoma epidural (ou extradural) apresenta-se tipicamente como uma coleção hiperdensa biconvexa (em forma de lente), geralmente associada à ruptura da artéria meníngea média e limitada pelas suturas cranianas. Já o hematoma subdural apresenta-se como uma coleção hiperdensa em formato de crescente (côncavo-convexo), que pode cruzar as linhas de sutura, mas é limitado pelas reflexões durais (como a foice do cérebro), resultando frequentemente de lesões em veias em ponte.
O paciente apresenta: Abertura ocular ausente (1), Palavras inapropriadas (3) e Flexão à pressão/retirada inespecífica (4), totalizando um Glasgow de 8. Pela nova atualização (GCS-P), deve-se também avaliar a reatividade pupilar. Um escore ≤ 8 define TCE grave e indica a necessidade de intubação orotraqueal para proteção de via aérea e controle da ventilação, visando prevenir a hipóxia e a hipercapnia, que são fatores de lesão cerebral secundária.
O hematoma subgaleal é uma coleção de sangue entre o periósteo do crânio e a aponeurose epicraniana (gálea). Diferente do cefaloematoma, ele não é limitado pelas suturas cranianas, podendo se estender por toda a calvária. No trauma adulto, é frequentemente identificado ao exame físico como um abaulamento de partes moles ('galo') e confirmado na TC como uma densidade de tecidos moles extracraniana, sem necessariamente indicar gravidade intracraniana isolada.
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