TCE Grave: Manejo Inicial e Intubação Orotraqueal

UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2024

Enunciado

Paciente do sexo masculino de 18 anos sofre acidente de moto. Chega ao pronto socorro trazido pelo SAMU. No atendimento inicial, se observa:A - vias aéreas pérvias e colar cervical bem posicionado, traqueia centrada. Não observado hálito etílico.B - ausculta pulmonar normal, sem sinais de trauma, FR 15 rpm, SO₂: 98% em ar ambiente.C - pulsos periféricos cheios, FC 80/bpm, PA 160/100 mmHg. Bacia estável e abdome plano, flácido, sem dor e sem sinais de trauma.D - escala de coma de Glasgow = 08, pupilas isocóricas e fotorreagentes. Sinal de hematoma subgaleal em região frontal direita.E - não observados sinais de fraturas de ossos longos.Diante dessa situação, a melhor conduta é realizar

Alternativas

  1. A) a intubação orotraqueal, abaixar a pressão arterial com captopril sublingual e realizar a tomografia de crânio.
  2. B) a intubação orotraqueal, abaixar a pressão arterial com nimodipina EV e realizar a tomografia de crânio.
  3. C) a intubação nasotraqueal, hidratação vigorosa para fazer uma leve hemodiluição e realizar a tomografia de crânio.
  4. D) a intubação orotraqueal, elevação da cabeceira a 30 graus e realizar a tomografia de crânio.

Pérola Clínica

TCE grave (Glasgow ≤ 8) → Intubação orotraqueal para proteção de via aérea e controle da PIC, cabeceira 30°.

Resumo-Chave

Um Glasgow ≤ 8 em paciente traumatizado indica TCE grave e a necessidade imediata de intubação orotraqueal para proteger as vias aéreas e prevenir aspiração, além de otimizar a ventilação e oxigenação, que são cruciais no controle da pressão intracraniana (PIC). A elevação da cabeceira a 30 graus auxilia na drenagem venosa cerebral, reduzindo a PIC.

Contexto Educacional

O traumatismo cranioencefálico (TCE) é uma das principais causas de morbimortalidade em jovens. O atendimento inicial segue os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), com prioridade para a avaliação e manejo das vias aéreas (A), respiração (B) e circulação (C). A avaliação neurológica (D), incluindo a Escala de Coma de Glasgow (ECG), é fundamental para determinar a gravidade do TCE. Um paciente com ECG ≤ 8 é classificado com TCE grave e tem indicação formal de intubação orotraqueal. Isso se deve à necessidade de proteger a via aérea contra aspiração, garantir ventilação e oxigenação adequadas, e otimizar o controle da pressão parcial de dióxido de carbono (PaCO2), que impacta diretamente o fluxo sanguíneo cerebral e a pressão intracraniana (PIC). Após a estabilização da via aérea e respiração, medidas para controle da PIC, como a elevação da cabeceira a 30 graus, devem ser implementadas. A hipertensão arterial observada pode ser uma resposta fisiológica para manter a perfusão cerebral (reflexo de Cushing) e não deve ser tratada agressivamente sem antes otimizar a PIC e a perfusão. A tomografia de crânio é o exame de imagem de escolha para avaliar lesões intracranianas.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do Glasgow na decisão de intubar um paciente com TCE?

Um Glasgow ≤ 8 é o critério para TCE grave e indica a necessidade de intubação orotraqueal para proteger a via aérea, prevenir aspiração e otimizar a ventilação, que são cruciais para o controle da pressão intracraniana.

Por que a elevação da cabeceira é recomendada no TCE grave?

A elevação da cabeceira a 30 graus facilita a drenagem venosa cerebral, o que ajuda a reduzir a pressão intracraniana (PIC) e otimizar a perfusão cerebral em pacientes com TCE grave.

Quais são os riscos de não intubar um paciente com TCE e Glasgow baixo?

Os principais riscos são aspiração pulmonar, hipóxia e hipercapnia, que podem levar a um aumento da pressão intracraniana e agravar o dano cerebral secundário, comprometendo o prognóstico do paciente.

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