TCE Grave: Diagnóstico e Manejo do Rebaixamento de Consciência

HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2022

Enunciado

Homem de 20 anos de idade foi admitido na unidade de emergência de trauma após atropelamento por ônibus, com contusão principalmente no hemicorpo direito. Foi transportado pela equipe de atendimento pré-hospitalar até o centro de trauma em um tempo de 30 minutos, sendo feito durante o transporte 500mL de solução ringer-lactato. A sua avaliação primária está descrita a seguir: A. Em uso de máscara não reinalante de oxigênio, colar cervical e prancha rígida. B. Ausculta respiratória simétrica sem ruídos adventícios. Saturação periférica de oxigênio de 89%. C. Pressão arterial de 150x100mmHg, frequência cardíaca de 112bpm, abdome com escoriações, abaulamento e dor em flanco direito, ausência de sinais de peritonite e pelve estável. D. Escala de coma de Glasgow de 7 com pupilas isocóricas e fotorreagentes. E. Hematoma subgaleal temporal direito, hematoma periorbital direito. Após a avaliação primária, o paciente foi submetido a tomografia computadorizada de corpo inteiro, cujas imagens podem ser vistas a seguir: Qual é a causa do rebaixamento de nível de consciência apresentado pelo paciente?

Alternativas

  1. A) Traumatismo cranioencefálico com hemorragia subaracnoide e hemoventrículo.
  2. B) Pneumotórax hipertensivo.
  3. C) Trauma renal grau V, com hematoma retroperitoneal.
  4. D) Fratura de pelve instável.

Pérola Clínica

GCS ≤ 8 no trauma → IOT imediata + Investigação de lesões intracranianas via TC de crânio.

Resumo-Chave

O rebaixamento do nível de consciência (GCS 7) em um paciente com trauma multissistêmico e estabilidade hemodinâmica relativa aponta para lesão cerebral primária, como hemorragia subaracnoide e hemoventrículo.

Contexto Educacional

O traumatismo cranioencefálico (TCE) é uma das principais causas de morbimortalidade no trauma. A avaliação inicial deve focar na prevenção da lesão cerebral secundária, mantendo oxigenação adequada (SatO2 > 94%) e pressão arterial sistólica estável. O rebaixamento do nível de consciência, definido por uma pontuação na Escala de Coma de Glasgow inferior a 9, classifica o TCE como grave. Fisiopatologicamente, a presença de sangue no sistema ventricular (hemoventrículo) e no espaço subaracnoide indica um mecanismo de trauma de alta energia. O manejo envolve monitorização da pressão intracraniana (PIC) em casos selecionados, controle rigoroso da volemia e, por vezes, intervenção neurocirúrgica para drenagem de hematomas ou derivação ventricular externa.

Perguntas Frequentes

Qual o critério para intubação orotraqueal no TCE?

De acordo com as diretrizes do ATLS, pacientes com Escala de Coma de Glasgow (GCS) menor ou igual a 8 apresentam incapacidade de proteger a via aérea e alto risco de hipóxia secundária, sendo a intubação orotraqueal (IOT) mandatória para garantir a ventilação e prevenir lesão cerebral secundária.

Como a hemorragia subaracnoide traumática impacta o prognóstico?

A hemorragia subaracnoide traumática (HSAt) é um marcador de gravidade no TCE. Ela pode levar ao vasoespasmo, embora menos frequente que na forma aneurismática, e frequentemente está associada a outras lesões como contusões e hemoventrículo, elevando o risco de hidrocefalia aguda e hipertensão intracraniana.

Por que a TC de corpo inteiro é utilizada no trauma grave?

A TC de corpo inteiro (Pan-scan) permite a identificação rápida de lesões ameaçadoras à vida em múltiplos compartimentos (crânio, tórax, abdome e pelve) em pacientes politraumatizados, otimizando o tempo de diagnóstico e a priorização do tratamento cirúrgico ou conservador.

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