UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2022
A equipe de socorro pré-hospitalar atende um homem, de 36 anos, vítima de queda de aproximadamente4 metros de altura. O Paciente encontrava-se em decúbito dorsal, irresponsivo e com a cabeça e cervical mantidas alinhadas por um vizinho. Ao exame apresentava respiração irregular, que aumentava em profundidade e depois diminuía e presença de sangue em narinas e orelhas. o Paciente aceitou a cânula orofaríngea e a via aérea está pérvia. Foi posicionado o dispositivo ventilatório máscara-bolsa e ventilado com frequência de 12 vezes/minuto. A pupila direita está midriática; frequência de pulso de 54 bpm, com pulso regular; saturação periférica de oxigênio de 96%; pele fria, seca e pálida; pontuação de Glasgow = 7 (abertura ocular 2; resposta verbal 1; melhor resposta motora 4). A avaliação secundária foi realizada a caminho do hospital. O paciente é coberto com cobertor quente, a pressão arterial é de 190/100 mmHg e o eletrocardiograma revela bradicardia sinusal, com contrações ventriculares isoladas. Sobre o caso acima, assinale a alternativa correta.
TCE grave com bradicardia, hipertensão e respiração irregular (Cheyne-Stokes) + anisocoria → Tríade de Cushing + sinais de herniação cerebral.
O paciente apresenta sinais clássicos de traumatismo cranioencefálico grave com aumento da pressão intracraniana e risco de herniação cerebral, incluindo a Tríade de Cushing (hipertensão, bradicardia, respiração irregular) e anisocoria. O padrão respiratório descrito é característico da respiração de Cheyne-Stokes.
O traumatismo cranioencefálico (TCE) grave é uma emergência médica que requer avaliação e manejo rápidos para minimizar a lesão cerebral secundária e melhorar o prognóstico. A lesão primária ocorre no momento do impacto e é irreversível, enquanto a lesão secundária, causada por fatores como hipóxia, hipotensão e aumento da pressão intracraniana (PIC), é passível de prevenção e tratamento. A identificação precoce de sinais de aumento da PIC é vital. O paciente do caso apresenta um quadro clínico clássico de TCE grave com sinais de aumento da PIC e disfunção do tronco cerebral. A Escala de Coma de Glasgow de 7 indica um TCE grave. A presença de hipertensão (190/100 mmHg) e bradicardia (54 bpm) compõe dois terços da Tríade de Cushing, um sinal ominoso de compressão do tronco cerebral. A pupila direita midriática sugere herniação uncal, indicando compressão do nervo oculomotor. O padrão respiratório descrito, 'respiração irregular, que aumentava em profundidade e depois diminuía', é a definição exata da respiração de Cheyne-Stokes. Este padrão é característico de lesões cerebrais bilaterais ou disfunção do diencéfalo, frequentemente associado a TCE grave ou outras condições que afetam o controle respiratório central. O manejo pré-hospitalar foca em manter a via aérea, ventilação e oxigenação adequadas, além de evitar hipotensão, que pode agravar a lesão cerebral.
A Tríade de Cushing consiste em hipertensão arterial, bradicardia e alterações respiratórias (geralmente irregulares). É um sinal tardio e grave de aumento da pressão intracraniana, indicando compressão do tronco cerebral e iminência de herniação.
A respiração de Cheyne-Stokes é caracterizada por períodos de respiração crescente em profundidade e frequência, seguidos por períodos de respiração decrescente e, por fim, apneia. Indica disfunção cerebral bilateral, frequentemente associada a lesões corticais ou do diencéfalo.
O atendimento pré-hospitalar é crucial para prevenir lesões cerebrais secundárias, garantindo via aérea pérvia, ventilação adequada, oxigenação e manutenção da pressão arterial, além de imobilização cervical e transporte rápido para um centro especializado.
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