PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2021
Lucas, seis anos de idade, previamente saudável, é levado ao Pronto Atendimento devido a queda da própria altura, com traumatismo craniano, sem perda de consciência. No primeiro exame está chorando muito, consciente, bem orientado, com Glasgow 15. Sem alterações respiratória e hemodinâmica. A CONDUTA CORRETA é:
TCE leve em criança (>2 anos), Glasgow 15, sem perda de consciência e sem sinais de alerta → observação clínica por 4-6h, sem exames de imagem.
Em crianças com traumatismo craniano leve (Glasgow 15), sem perda de consciência, sem sinais de alerta (vômitos persistentes, cefaleia progressiva, alteração de comportamento, sinais focais) e sem fatores de risco, a observação clínica é a conduta inicial segura, evitando irradiação desnecessária.
O traumatismo craniano (TCE) é uma causa comum de atendimento em emergências pediátricas. A avaliação e manejo do TCE leve em crianças exigem um equilíbrio entre a detecção de lesões intracranianas graves e a minimização da exposição à radiação de exames como a tomografia computadorizada (TC) de crânio. Para crianças com TCE leve, sem perda de consciência e com Escala de Coma de Glasgow (ECG) de 15, a conduta inicial depende da presença de outros fatores de risco. No caso de Lucas, 6 anos, com queda da própria altura, sem perda de consciência, Glasgow 15, consciente, orientado e sem alterações respiratórias ou hemodinâmicas, ele se enquadra em um grupo de muito baixo risco para lesão intracraniana clinicamente significativa. Diretrizes como as do PECARN (Pediatric Emergency Care Applied Research Network) recomendam, para crianças acima de 2 anos com essas características, a observação clínica por 4 a 6 horas como conduta segura, sem a necessidade imediata de exames complementares como a radiografia ou TC de crânio. A radiografia de crânio tem baixa sensibilidade para lesões intracranianas e não é recomendada rotineiramente. A TC de crânio, embora detecte lesões, expõe a criança à radiação ionizante, com riscos cumulativos a longo prazo. Portanto, a observação atenta do estado neurológico da criança, com reavaliações periódicas, é a abordagem preferencial para pacientes de baixo risco, reservando a TC para aqueles que desenvolvem sinais de alerta ou que apresentam fatores de risco mais significativos. Residentes devem estar familiarizados com esses protocolos para evitar exames desnecessários e otimizar o cuidado.
A TC de crânio é indicada em TCE leve pediátrico apenas se houver sinais de alerta, como alteração do nível de consciência, vômitos persistentes, cefaleia progressiva, sinais de fratura de crânio ou mecanismo de trauma de alto risco.
Critérios de baixo risco incluem Glasgow 15, ausência de perda de consciência, ausência de vômitos, cefaleia leve ou ausente, sem sinais de fratura de crânio e comportamento normal da criança.
A observação clínica permite monitorar a evolução do paciente e identificar tardiamente sinais de deterioração neurológica, evitando a exposição desnecessária à radiação de exames de imagem em casos de baixo risco.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo