Queda em Idoso Anticoagulado: Manejo e Riscos de TCE

SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2022

Enunciado

Antônio, 66 anos, chega à unidade de saúde, no período da manhã, trazido por sua esposa. Há 10 meses teve um acidente vascular encefálico isquêmico, ficando com hemiparesia direita como sequela. Utiliza uma cadeira de rodas para deambular. Tem hipertensão e diabetes mellitus tipo 2 (DM2) não controlados. Refere ser ex-tabagista e ex-etilista, mas esposa suspeita que ele ainda consuma bebida alcoólica com alguma frequência. Faz uso de enalapril 10 mg 2x/dia, insulina neutral protamine hagedorn (NPH) 10-10-10 unidades internacionais (UI), insulina regular 4-4-4 UI, sinvastatina 40 mg/dia, ácido acetil salicílico (AAS) 100 mg/dia, clopidogrel 75 mg/dia e metformina 850 mg 3x/dia. Nega alergias. A esposa o trouxe porque 30 minutos atrás ele caiu da cadeira ao tentar pegar um objeto no chão. No momento queixa-se apenas de cefaleia de intensidade moderada. Está lúcido, um pouco irritado, consciente (escala de Glasgow 15). PA 130/80 mmHg. Pupilas isocóricas e fotorreagentes. Demais exames neurológicos normais, exceto pela hemiparesia prévia. Apresenta escoriações leves na cabeça. Assinale a alternativa que apresenta a conduta mais adequada nesse caso:

Alternativas

  1. A) Não prescrever analgesia para não mascarar a dor e liberá-lo, orientando que a família observe a ocorrência de sinais e sintomas de alerta nas próximas 48 horas.
  2. B) Encaminhá-lo para um hospital para melhor avaliação de potencial lesão cerebral.
  3. C) Mantê-lo em observação durante o dia na unidade e avaliar a melhora da cefaleia com paracetamol.
  4. D) Prescrever paracetamol e liberá-lo, orientando que a família observe a ocorrência de sinais e sintomas de alerta nas próximas 48 horas.

Pérola Clínica

Queda em idoso anticoagulado/antiagregado com cefaleia pós-trauma → sempre investigar lesão cerebral em hospital.

Resumo-Chave

Pacientes idosos, especialmente aqueles em uso de anticoagulantes ou antiagregantes plaquetários, possuem alto risco de sangramento intracraniano mesmo após traumatismos cranianos leves. A presença de cefaleia, mesmo que moderada, após uma queda justifica uma avaliação hospitalar aprofundada, incluindo neuroimagem.

Contexto Educacional

Quedas em idosos são um problema de saúde pública significativo, com alta morbimortalidade. A prevalência aumenta com a idade e a presença de comorbidades, como AVE prévio, diabetes e hipertensão, além do uso de múltiplas medicações (polifarmácia). A avaliação de um idoso após uma queda deve ser abrangente, considerando não apenas a lesão aguda, mas também os fatores de risco para novas quedas. Em pacientes idosos, mesmo um traumatismo craniano leve (TCE) pode resultar em lesões intracranianas graves, como hematomas subdurais ou intraparenquimatosos, devido à atrofia cerebral e à fragilidade vascular. O risco é exponencialmente maior em pacientes que utilizam anticoagulantes ou antiagregantes plaquetários, como AAS e clopidogrel, pois essas medicações potencializam o sangramento. A cefaleia pós-trauma, mesmo que leve, é um sintoma que exige investigação. A conduta inicial em um idoso com TCE e uso de anticoagulantes/antiagregantes deve ser sempre cautelosa. Mesmo com Glasgow 15 e exame neurológico aparentemente normal, o risco de sangramento intracraniano tardio ou de progressão lenta é alto. Portanto, o encaminhamento para um hospital para avaliação com neuroimagem (tomografia de crânio) e observação é a conduta mais segura e adequada para descartar lesões graves e garantir o manejo apropriado.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta após uma queda em idosos?

Sinais de alerta incluem cefaleia persistente ou progressiva, vômitos, alteração do nível de consciência, convulsões, fraqueza ou dormência em um lado do corpo, e dificuldade para falar ou andar. Qualquer um desses sintomas exige avaliação médica imediata.

Por que idosos em uso de anticoagulantes têm maior risco após TCE?

Idosos já possuem maior fragilidade vascular e atrofia cerebral, o que aumenta o espaço para sangramentos. O uso de anticoagulantes ou antiagregantes potencializa significativamente o risco de hemorragias intracranianas, mesmo após traumas leves, devido à dificuldade de formação de coágulos.

Quando é indicada a neuroimagem após um traumatismo craniano leve em idosos?

A neuroimagem (tomografia de crânio) é fortemente indicada em idosos com TCE leve que apresentam cefaleia, vômitos, perda de consciência, amnésia pós-traumática, ou que estão em uso de anticoagulantes/antiagregantes, devido ao alto risco de lesões intracranianas.

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