Trauma Vesical: Diagnóstico e Manejo da Lesão Intraperitoneal

FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2023

Enunciado

Vítima de colisão de moto com poste, um homem de 22 anos tem dor em hipogástrio e hematúria. Na investigação, a tomografia de abdome e pelve, feita com contraste venoso, mas apenas com fase arterial e portal, evidenciou líquido livre em pelve. Não teve outros achados, exceto fratura estável de bacia. Diagnóstico mais provável e melhor conduta:

Alternativas

  1. A) Lesão de uretra posterior - exploração cirúrgica;
  2. B) Trauma renal - fazer a fase excretora da tomografia, para planejamento cirúrgico;
  3. C) Lesão de bexiga extraperitoneal - sondagem vesical;
  4. D) Lesão de bexiga intraperitoneal - exploração cirúrgica;

Pérola Clínica

Trauma pélvico + hematúria + líquido livre intraperitoneal (TC) = Lesão de bexiga intraperitoneal → exploração cirúrgica.

Resumo-Chave

A presença de hematúria e líquido livre na pelve em um paciente com trauma pélvico e fratura de bacia, especialmente se o líquido for intraperitoneal, é altamente sugestiva de lesão vesical. A lesão intraperitoneal requer exploração cirúrgica para reparo e lavagem da cavidade abdominal.

Contexto Educacional

O trauma vesical é uma complicação comum de traumas pélvicos, especialmente aqueles associados a fraturas de bacia. A hematúria macroscópica é o sinal mais consistente de lesão do trato urinário inferior. A bexiga pode ser lesionada por forças de compressão ou cisalhamento, ou por fragmentos ósseos de fraturas pélvicas. As lesões vesicais são classificadas como extraperitoneais (mais comuns, associadas a fraturas de bacia) ou intraperitoneais (geralmente por golpe direto na bexiga cheia ou trauma de desaceleração). A presença de líquido livre na pelve, especialmente se for urina extravasada, é um achado importante. Embora a TC com fases arterial e portal não seja o exame ideal para avaliar extravasamento urinário (que requer a fase excretora ou cistografia por TC), a combinação de trauma de alta energia, hematúria e líquido livre em pelve, sem outros achados que justifiquem o líquido, aumenta a suspeita de lesão vesical. A lesão de bexiga intraperitoneal é uma emergência cirúrgica, pois o extravasamento de urina para a cavidade peritoneal pode levar a peritonite urinária e sepse. O tratamento envolve exploração cirúrgica para reparo da bexiga e lavagem da cavidade. Já as lesões extraperitoneais, na maioria dos casos, podem ser manejadas conservadoramente com sondagem vesical prolongada.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de suspeita de lesão vesical em trauma?

Os principais sinais são hematúria macroscópica, dor suprapúbica, incapacidade de urinar, e sinais de irritação peritoneal se houver extravasamento intraperitoneal.

Como diferenciar uma lesão de bexiga intraperitoneal de uma extraperitoneal?

A lesão intraperitoneal resulta em extravasamento de urina para a cavidade peritoneal, podendo causar peritonite urinária. A extraperitoneal, mais comum, extravasa para o espaço perivesical e é frequentemente associada a fraturas de bacia. A cistografia por TC é o exame padrão-ouro.

Qual a conduta para uma lesão de bexiga intraperitoneal?

A lesão de bexiga intraperitoneal requer reparo cirúrgico imediato, geralmente por laparotomia, para fechar a perfuração e realizar lavagem da cavidade abdominal, prevenindo peritonite.

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