Trauma Vascular e Fratura: Conduta na Lesão de Artéria Braquial

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024

Enunciado

Paciente de 20 anos, vítima de ferimento por arma de fogo em tórax e membro superior direito. Foi imobilizado com enfaixamento e tipoia. Ele refere dor na mão. Apresenta tempo de enchimento capilar > 6 segundos. A radiografia realizada pode ser visualizada na figura a seguir: Qual é suspeita clínica e qual a atitude recomendada?

Alternativas

  1. A) Lesão de nervo braquial – fixar a fratura.
  2. B) Lesão de artéria braquial – exploração vascular, fixar a fratura.
  3. C) Síndrome compartimental – fasciotomia de antebraço e braço.
  4. D) Imobilizar o membro com tala gessada.

Pérola Clínica

Fratura + Isquemia (TEC > 6s) → Exploração vascular imediata + Fixação óssea.

Resumo-Chave

Em traumas penetrantes com sinais de isquemia crítica, a prioridade é a restauração do fluxo sanguíneo após ou concomitante à estabilização ortopédica.

Contexto Educacional

O trauma vascular periférico, especialmente por projétil de arma de fogo, exige alta suspeição clínica. A artéria braquial é o vaso mais comumente lesionado no membro superior. O diagnóstico é eminentemente clínico quando há sinais óbvios de isquemia ou sangramento ativo. O manejo envolve o controle da hemorragia, estabilização ortopédica e reparo vascular (anastomose primária ou enxerto de veia safena). Atrasos na revascularização superiores a 6 horas aumentam drasticamente o risco de amputação e sequelas neurológicas permanentes. A abordagem multidisciplinar entre cirurgia vascular e ortopedia é fundamental para o sucesso do salvamento do membro.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais 'hard' de lesão vascular?

Os sinais 'hard' incluem sangramento pulsátil, hematoma em expansão, sopro ou frêmito local e sinais de isquemia distal (os 6 Ps: palidez, dor, ausência de pulso, parestesia, paralisia e poiquilotermia). No caso clínico, o tempo de enchimento capilar (TEC) maior que 6 segundos é um sinal crítico de má perfusão que exige intervenção imediata.

Qual a ordem de tratamento: osso ou vaso?

Geralmente, a fixação óssea rápida (ou uso de shunts temporários) precede o reparo vascular definitivo para garantir estabilidade mecânica e proteger a anastomose vascular recém-feita de tensões mecânicas causadas pela instabilidade da fratura.

Quando indicar fasciotomia no trauma de membro superior?

A fasciotomia é indicada na suspeita de síndrome compartimental, comum após revascularização tardia (lesão de isquemia-reperfusão), em traumas esmagadores com edema importante de tecidos moles ou quando a pressão intracompartimental está elevada.

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