Ferimento por Arma de Fogo na Perna: Avaliação Vascular

UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2024

Enunciado

Paciente masculino de 18 anos dá entrada no pronto-socorro vítima de ferimento por arma de fogo transfixante em perna direita. O paciente encontra-se com pressão arterial de 130/70 mmHg e frequência cardíaca de 90 bpm, com pequeno sangramento não pulsátil no local da lesão. Ao exame secundário, não há sinais de isquemia ou déficit neurológico.Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a conduta adequada nesse caso.

Alternativas

  1. A) Alta hospitalar, já que o paciente encontra-se com pulsos presentes e ausência de acometimento neurológico.
  2. B) Anticoagulação plena para evitar trombose secundária decorrente de lesão térmica causada pelo projétil.
  3. C) Encaminhar o paciente para o centro cirúrgico para exploração cirúrgica imediata por se tratar de ferimento transfixante.
  4. D) Radiografia simples em duas incidências para pesquisar possíveis fraturas cominutivas.
  5. E) Realizar índice tornozelo – braço, caso se apresente alterado, deverá ser realizado exame de imagem.

Pérola Clínica

Ferimento transfixante em extremidade sem sinais de isquemia/déficit neurológico, mas com risco vascular → ITB para triagem, se alterado, imagem.

Resumo-Chave

Em ferimentos transfixantes de extremidades, mesmo sem sinais francos de lesão vascular grave, a avaliação do Índice Tornozelo-Braço (ITB) é crucial. Um ITB alterado indica a necessidade de exames de imagem adicionais para descartar lesões vasculares ocultas.

Contexto Educacional

Ferimentos por arma de fogo em extremidades representam um desafio no pronto-socorro devido ao potencial de lesões ocultas, especialmente vasculares. A avaliação inicial deve focar na estabilização do paciente e na identificação de sinais de lesão vascular que exijam intervenção imediata. A presença de sangramento pulsátil, hematoma expansivo, sopro ou frêmito, isquemia distal ou ausência de pulsos são considerados sinais 'duros' e indicam exploração cirúrgica. No entanto, muitos pacientes podem apresentar apenas sinais 'moles' ou nenhum sinal óbvio de lesão vascular grave, como no caso descrito. Nesses cenários, a avaliação do Índice Tornozelo-Braço (ITB) é uma ferramenta de triagem valiosa. Um ITB < 0,9 é considerado alterado e sugere a presença de lesão vascular, mesmo que subclínica. Se o ITB estiver alterado, exames de imagem como a angiotomografia são essenciais para localizar e caracterizar a lesão. A exploração cirúrgica imediata é reservada para pacientes com sinais 'duros' ou instabilidade hemodinâmica. A radiografia simples é útil para avaliar fraturas e a trajetória do projétil, mas não exclui lesão vascular. A anticoagulação plena não é a conduta inicial para lesões vasculares traumáticas sem indicação específica.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais 'duros' e 'moles' de lesão vascular em trauma de extremidade?

Sinais 'duros' incluem sangramento pulsátil, hematoma expansivo, sopro/frêmito, isquemia distal e ausência de pulsos. Sinais 'moles' são hematoma não expansivo, história de sangramento, déficit neurológico periférico e proximidade da lesão com vasos.

Quando o Índice Tornozelo-Braço (ITB) é indicado em trauma de extremidade?

O ITB é indicado para triagem de lesões vasculares em pacientes com ferimentos penetrantes de extremidade que apresentam sinais 'moles' de lesão vascular ou que estão hemodinamicamente estáveis sem sinais 'duros' óbvios, mas com suspeita de lesão.

Qual a conduta se o ITB estiver alterado após um trauma de extremidade?

Se o ITB estiver alterado (geralmente < 0,9), isso sugere uma lesão vascular e indica a necessidade de exames de imagem adicionais, como angiotomografia ou arteriografia, para confirmar a lesão e planejar a intervenção cirúrgica, se necessária.

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