MedEvo Simulado — Prova 2026
Um homem de 28 anos é levado à emergência após ser atingido por um disparo de arma de fogo no braço direito. Na admissão, apresenta-se hemodinamicamente estável (PA 115/75 mmHg, FC 98 bpm). Ao exame físico do membro superior direito, observa-se um hematoma pulsátil e expansivo no terço médio do braço, associado a frêmito palpável. O pulso radial está presente, porém significativamente diminuído em comparação ao membro contralateral. A extremidade distal encontra-se pálida, fria e com tempo de enchimento capilar de 5 segundos. A sensibilidade e a motricidade estão preservadas, mas o paciente refere dor intensa. Observe a imagem radiográfica obtida no leito durante a avaliação inicial. Diante do quadro clínico e do achado de imagem, assinale a sequência de conduta imediata mais adequada:
Sinais duros de lesão vascular (hematoma pulsátil/isquemia) → Exploração cirúrgica imediata.
Em traumas com sinais inequívocos de lesão vascular (sinais duros), a exploração cirúrgica não deve ser retardada por exames de imagem. O shunt temporário preserva o membro durante a fixação ortopédica.
O manejo do trauma vascular de extremidades baseia-se na distinção entre sinais 'duros' e 'suaves'. Pacientes com sinais duros e instabilidade ou isquemia crítica devem ser levados diretamente ao centro cirúrgico. A integração entre as equipes de cirurgia vascular e ortopedia é vital. O uso de shunts temporários revolucionou o tratamento, permitindo a revascularização funcional em minutos, seguida pela estabilização esquelética. A reconstrução definitiva com enxerto autólogo (geralmente veia safena) é realizada após o leito estar estabilizado, reduzindo complicações como trombose do enxerto e amputação.
Os sinais duros de lesão vascular são achados clínicos que indicam quase certamente uma lesão arterial grave que requer intervenção cirúrgica imediata. Eles incluem: sangramento arterial pulsátil ativo, hematoma expansivo ou pulsátil, frêmito (thrill) ou sopro na região da lesão, e sinais de isquemia distal (os '6 Ps': palidez, parestesia, paralisia, ausência de pulso, dor e poiquilotermia). Na presença desses sinais, exames de imagem como angiotomografia são dispensáveis e podem atrasar o tratamento.
O shunt vascular temporário é um dispositivo inserido nas extremidades da artéria lesionada para restaurar o fluxo sanguíneo distal de forma rápida durante a fase de 'controle de danos'. Ele é especialmente útil em traumas complexos onde há fraturas instáveis associadas. O shunt permite que o cirurgião ortopédico realize a fixação da fratura com o membro perfundido, evitando que a manipulação óssea rompa uma reconstrução vascular definitiva (enxerto) feita precocemente.
A sequência 'shunt -> fixação ortopédica -> reconstrução vascular definitiva' é preferida para minimizar o tempo de isquemia quente do membro e garantir a estabilidade mecânica antes da sutura vascular final. Se a reconstrução definitiva (como um enxerto de veia safena) for feita antes da fixação óssea, o movimento dos fragmentos da fratura durante a cirurgia ortopédica pode tracionar e destruir a anastomose vascular recém-concluída.
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