Trauma de Uretra Posterior: Manejo e Conduta

FAA/UNIFAA - Hospital Escola Luiz Gioseffi Jannuzzi (RJ) — Prova 2015

Enunciado

Jovem de 22 anos, encaminhado pelo SAMU, após acidente de motocicleta em via pública, apresenta estabilidade hemodinâmica, a tomografia revela fratura de bacia e bexigoma, com uretrorragia. Não foram constatadas outras lesões. Foi realizada uretrocistografia sendo diagnosticada lesão complexa da uretra membranosa. A melhor conduta neste caso seria:

Alternativas

  1. A) Cirurgia imediata com anastomose dos cotos uretrais. 
  2. B) Cistostomia por punção e reconstrução uretral tardia.
  3. C) Sondagem com sonda Foley Nº 22 , antes de qualquer procedimento.
  4. D) Intervenção cirúrgica com uretrostomia perineal e posterior fechamento. 

Pérola Clínica

Trauma uretra posterior + fratura bacia + uretrorragia → Cistostomia suprapúbica e reconstrução tardia.

Resumo-Chave

Em trauma de uretra posterior associado a fratura de bacia e uretrorragia, a tentativa de sondagem uretral é contraindicada. A conduta inicial é a derivação urinária suprapúbica (cistostomia) e o reparo definitivo da uretra é postergado para um momento de maior estabilidade do paciente e resolução do edema local.

Contexto Educacional

O trauma de uretra posterior é uma lesão urogenital grave, frequentemente associada a fraturas de bacia em acidentes de alta energia, como os de motocicleta. A uretra membranosa, por sua localização anatômica e fixação, é particularmente vulnerável nesses cenários. A suspeita clínica é levantada por sinais como uretrorragia, incapacidade de urinar, bexigoma e hematoma perineal. A estabilidade hemodinâmica do paciente é primordial antes de qualquer investigação urológica aprofundada. O diagnóstico é confirmado por uretrocistografia retrógrada, que demonstra o extravasamento de contraste. É crucial evitar a sondagem uretral "às cegas" em casos de suspeita, pois isso pode agravar a lesão. A fisiopatologia envolve o cisalhamento da uretra devido às forças de impacto e deslocamento dos fragmentos ósseos da pelve, resultando em lesões que podem variar de contusões a rupturas completas. A conduta inicial no trauma de uretra posterior com lesão complexa é a derivação urinária suprapúbica, geralmente por cistostomia por punção, para garantir a drenagem da urina e evitar complicações como extravasamento e infecção. A reconstrução uretral definitiva é postergada (reconstrução tardia), idealmente após 3 a 6 meses, quando o edema e a inflamação local diminuíram e o paciente está completamente estável, permitindo um reparo mais preciso e com melhores resultados a longo prazo, minimizando o risco de estenose uretral.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos de suspeita de trauma de uretra posterior?

Os sinais clínicos incluem uretrorragia (sangramento pelo meato uretral), incapacidade de urinar, bexigoma (distensão vesical), hematoma perineal ou escrotal, e próstata alta ou não palpável ao toque retal, frequentemente associados a fraturas de bacia.

Por que a sondagem uretral é contraindicada em caso de suspeita de lesão uretral?

A sondagem uretral é contraindicada pois pode converter uma lesão uretral parcial em completa, criar um falso trajeto, ou exacerbar o sangramento e a contaminação, complicando o reparo definitivo e aumentando o risco de estenose.

Qual a importância da cistostomia suprapúbica no manejo inicial do trauma de uretra?

A cistostomia suprapúbica é crucial para garantir a drenagem urinária e descomprimir a bexiga, evitando o extravasamento de urina e permitindo que a lesão uretral cicatrize em um ambiente mais favorável antes da reconstrução cirúrgica definitiva, que geralmente é realizada de forma tardia.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo