UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2022
Homem, 25a, deu entrada no Pronto Socorro, após trauma por acidente automobilístico, com quadro de retenção urinária, fratura de bacia e uretrorragia. A PRINCIPAL HIPÓTESE DIAGNÓSTICA, O EXAME A SER SOLICITADO E A MELHOR CONDUTA, RESPECTIVAMENTE, SÃO:
Trauma pélvico + retenção urinária + uretrorragia → Suspeita de trauma de uretra posterior. Dx: Uretrocistografia retrógrada. Tto: Cistostomia.
A tríade de fratura de bacia, retenção urinária e uretrorragia após trauma é altamente sugestiva de lesão da uretra posterior. A sondagem vesical é contraindicada, pois pode agravar a lesão. O diagnóstico é feito por uretrocistografia retrógrada, e o manejo inicial consiste em desvio urinário por cistostomia suprapúbica.
O trauma de uretra é uma lesão urogenital grave, frequentemente associada a traumas de alta energia, como acidentes automobilísticos e quedas. A lesão da uretra posterior (membranosa) é particularmente comum em homens e está fortemente correlacionada com fraturas de bacia, devido à sua proximidade anatômica com a sínfise púbica. Para o residente, é vital reconhecer a tríade clássica de fratura de bacia, retenção urinária e uretrorragia como indicativa de lesão uretral, pois o manejo inicial inadequado pode levar a complicações a longo prazo, como estenose uretral e disfunção erétil. A fisiopatologia da lesão de uretra posterior em fraturas de bacia envolve o cisalhamento ou esmagamento da uretra no ponto onde ela se fixa à membrana perineal. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado nos sinais e sintomas já mencionados. O exame físico deve incluir a inspeção do períneo e escroto para hematomas e o toque retal para avaliar a próstata. O exame de imagem de escolha para confirmar a lesão e determinar sua extensão é a uretrocistografia retrógrada, que deve ser realizada antes de qualquer tentativa de sondagem vesical. O tratamento inicial do trauma de uretra posterior é o desvio urinário através de uma cistostomia suprapúbica. A sondagem vesical é estritamente contraindicada, pois pode transformar uma lesão parcial em completa ou agravar uma lesão existente. A reparação definitiva da uretra é geralmente adiada para um segundo momento, após a estabilização do paciente e a resolução do edema local, para otimizar os resultados funcionais. O manejo adequado e precoce é fundamental para minimizar as sequelas e melhorar o prognóstico do paciente.
Os principais sinais e sintomas de lesão de uretra após trauma incluem uretrorragia (sangramento pelo meato uretral), incapacidade de urinar (retenção urinária), hematoma perineal ou escrotal, e próstata elevada ou não palpável ao toque retal (sinal de lesão de uretra posterior). A fratura de bacia é um forte preditor de lesão uretral.
O exame padrão-ouro para diagnosticar uma lesão de uretra é a uretrocistografia retrógrada. Este exame envolve a injeção de contraste radiopaco na uretra através do meato uretral, permitindo visualizar a integridade da uretra e identificar extravasamentos de contraste que indicam a lesão.
A sondagem vesical é contraindicada porque pode agravar uma lesão uretral parcial ou criar uma lesão completa, aumentando o risco de complicações. A conduta inicial para o desvio urinário em caso de suspeita de trauma de uretra é a realização de uma cistostomia suprapúbica, que permite a drenagem da urina diretamente da bexiga sem passar pela uretra lesionada.
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