UNIRV - Universidade de Rio Verde (GO) — Prova 2020
Paciente de 35 anos, vítima de acidente motociclístico, com trauma direto em bacia por compressão, junto ao tanque da motocicleta. Não apresentou lesões associadas (crânio, tórax, abdome), exceto por escoriações em membro superior direito. Após avaliação inicial (ABCDE), apresentou dificuldade para urinar, porém tinha RX de bacia normal. Qual a melhor hipótese diagnóstica e conduta?
Trauma pélvico + dificuldade urinar + RX bacia normal → suspeitar trauma uretra bulbar; conduta: uretrografia retrógrada + cistostomia.
Em trauma pélvico masculino, a dificuldade para urinar, mesmo com RX de bacia normal, deve levantar a suspeita de lesão uretral. A uretra bulbar é a porção mais comumente lesada em traumas por compressão perineal. A conduta inicial é a uretrografia retrógrada para confirmar a lesão e, se presente, realizar cistostomia suprapúbica para desvio urinário, evitando sondagem uretral que pode agravar a lesão.
O trauma de uretra é uma lesão urológica grave, mais comum em homens, frequentemente associada a traumas pélvicos de alta energia, como acidentes automobilísticos ou motociclísticos. Para residentes, o reconhecimento precoce e o manejo adequado são cruciais para prevenir complicações a longo prazo, como estenose uretral e disfunção erétil. A uretra masculina é dividida em anterior (peniana e bulbar) e posterior (membranosa e prostática), com diferentes mecanismos de lesão. Neste caso, o trauma direto na bacia por compressão, junto ao tanque da motocicleta, sugere um mecanismo de esmagamento ou cisalhamento na região perineal, o que é típico para lesões da uretra bulbar. A dificuldade para urinar é um sinal cardinal. Mesmo com um RX de bacia normal, a lesão uretral deve ser fortemente suspeitada. O diagnóstico é confirmado pela uretrografia retrógrada, que demonstra o extravasamento de contraste. É imperativo não tentar passar uma sonda uretral às cegas, pois isso pode transformar uma lesão parcial em completa ou criar um falso trajeto. A conduta inicial para o trauma de uretra confirmado é a derivação urinária por cistostomia suprapúbica. Este procedimento permite o esvaziamento da bexiga sem manipular a uretra lesada, dando tempo para a cicatrização inicial ou para o planejamento do reparo cirúrgico definitivo, que geralmente é realizado em um segundo momento, após a estabilização do paciente e a resolução do edema local. O acompanhamento a longo prazo é essencial para monitorar e tratar possíveis estenoses.
A suspeita surge em casos de dificuldade para urinar, sangramento uretral (uretrorragia), hematoma perineal ou escrotal, e próstata elevada ou não palpável ao toque retal, mesmo com RX de bacia normal.
A uretrografia retrógrada é o exame padrão-ouro. Ela consiste na injeção de contraste na uretra para visualizar a integridade do trato urinário inferior e identificar o local e a extensão da lesão.
A cistostomia suprapúbica é realizada para desviar a urina e evitar a passagem de sonda pela uretra lesada, o que poderia agravar a lesão e aumentar o risco de complicações como estenose uretral. O reparo definitivo é geralmente postergado.
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