Trauma Urogenital: Diagnóstico e Conduta na Emergência

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2020

Enunciado

Um paciente com 23 anos de idade, do sexo masculino, vítima de acidente automobilístico, foi trazido ao setor de Trauma pela equipe de suporte avançado do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Apresenta vias aéreas pérvias, ausculta pulmonar normal, PA = 100 x 60 mmHg, FC = 100 bpm, FR = 24 irpm, Glasgow = 14. Durante a inspeção, nota-se esquimose perineal. O paciente está com sonda vesical de duas vias com débito de 40 mL de sangue vivo. Queixa-se de dor intensa em hipogástrio, onde se nota abaulamento extremamente doloroso à palpação que vai do púbis até cerca de 5 cm abaixo da cicatriz umbilical. Nesse caso, o diagnóstico e a conduta médica inicial para esse paciente são

Alternativas

  1. A) trauma renal e tomografia computadorizada de abdome com contraste endovenoso.
  2. B) trauma de bexiga e colocação de sonda vesical em três vias para irrigação contínua.
  3. C) trauma de uretra e retirada da sonda vesical com cistostomia percutânea.
  4. D) obstrução da sonda vesical e desobstrução com irrigação sob pressão.

Pérola Clínica

Trauma perineal + hematúria macroscópica + abaulamento hipogástrico + sonda prévia → suspeitar trauma de uretra/bexiga. Retirar sonda e cistostomia.

Resumo-Chave

A presença de esquimose perineal, hematúria macroscópica persistente após trauma e abaulamento hipogástrico doloroso com sonda vesical prévia sugere fortemente trauma de uretra ou bexiga. A conduta inicial correta é retirar a sonda para evitar agravar a lesão uretral e realizar uma cistostomia suprapúbica para desvio urinário.

Contexto Educacional

O trauma urogenital é uma ocorrência comum em acidentes automobilísticos e outros traumas de alta energia, podendo envolver rins, ureteres, bexiga e uretra. A lesão uretral, em particular, é uma emergência urológica que exige reconhecimento e manejo adequados para prevenir complicações a longo prazo, como estenose uretral, disfunção erétil e incontinência. A avaliação inicial no trauma segue o protocolo ATLS, com atenção especial à inspeção perineal e genitália. A fisiopatologia da lesão uretral em traumas pélvicos ou perineais envolve forças de cisalhamento ou esmagamento. A presença de sangue no meato uretral, hematoma perineal, incapacidade de micção e próstata "alta" ao toque retal são sinais clássicos de lesão uretral. A hematúria macroscópica é um achado comum, mas não exclusivo de lesão uretral, podendo indicar também trauma renal ou vesical. O abaulamento hipogástrico doloroso pode sugerir distensão vesical por retenção urinária ou extravasamento de urina/sangue. A conduta inicial no trauma de uretra é crucial. Se houver suspeita, a sondagem vesical está contraindicada. A sonda que já estiver presente deve ser retirada, e o desvio urinário deve ser realizado por cistostomia suprapúbica percutânea. Exames de imagem, como a uretrografia retrógrada, são essenciais para confirmar o diagnóstico e planejar a reparação definitiva, que geralmente é postergada para um segundo momento.

Perguntas Frequentes

Quais os sinais de lesão uretral em trauma?

Os sinais de lesão uretral incluem sangue no meato uretral, incapacidade de micção, hematoma perineal/escrotal, próstata alta ao toque retal e extravasamento urinário.

Por que não se deve manter a sonda vesical em caso de suspeita de trauma uretral?

Manter ou tentar passar a sonda pode converter uma lesão parcial em completa, aumentar o extravasamento urinário e agravar o trauma tecidual, dificultando a reparação futura.

Quando suspeitar de lesão de bexiga em trauma?

Deve-se suspeitar de lesão de bexiga em traumas pélvicos, dor suprapúbica, hematúria macroscópica e incapacidade de urinar. O diagnóstico é feito por cistografia.

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