MedEvo Simulado — Prova 2026
Um homem de 34 anos, sem antecedentes mórbidos relevantes, é admitido na unidade de emergência após sofrer uma queda de "cavaleiro" sobre uma viga metálica em um canteiro de obras há aproximadamente 4 horas. O paciente queixa-se de dor perineal intensa e incapacidade de realizar a micção, apesar do forte desejo miccional. Ao exame físico, observa-se a presença de gotas de sangue no meato uretral (uretrorragia) e um hematoma perineal volumoso, com equimose em formato de "asa de borboleta" estendendo-se para a base escrotal. A palpação abdominal revela um globo vesical tenso e doloroso a cerca de 4 cm acima da sínfise púbica. O toque retal evidencia próstata de tamanho normal e em posição anatômica. O paciente está hemodinamicamente estável, com pressão arterial de 128/76 mmHg e frequência cardíaca de 78 bpm. Diante do quadro clínico apresentado, a conduta inicial mais adequada é:
Uretrorragia + Retenção + Trauma perineal → Uretrocistografia retrógrada antes de sondar.
A tríade de uretrorragia, hematoma perineal e incapacidade de micção após trauma sugere lesão uretral, tornando a uretrocistografia retrógrada o exame inicial obrigatório para evitar iatrogenias.
O trauma de uretra anterior, especificamente na porção bulbar, é uma emergência urológica clássica decorrente de mecanismos de desaceleração ou impacto direto no períneo contra estruturas rígidas. A fáscia de Buck, se rompida, permite que o hematoma e a urina se espalhem pelo espaço perineal superficial, criando o aspecto característico de 'asa de borboleta'. A prioridade no manejo é a estabilização hemodinâmica seguida da garantia de drenagem urinária segura. A realização da uretrocistografia retrógrada deve preceder qualquer tentativa de instrumentação uretral. Caso a lesão seja confirmada e o paciente esteja em retenção urinária, a cistostomia suprapúbica é frequentemente a conduta de escolha para derivação temporária, permitindo que o processo inflamatório local regrida antes de uma uretroplastia definitiva, se necessária.
Os sinais cardinais incluem uretrorragia (sangue no meato uretral), incapacidade de micção espontânea, bexigoma (globo vesical palpável) e hematoma perineal ou escrotal. No trauma de uretra posterior (associado a fraturas de pelve), pode-se observar também a 'próstata flutuante' ou elevada ao toque retal, embora este sinal tenha baixa sensibilidade. A presença de qualquer um desses sinais contraindica a cateterização uretral cega até que a integridade da uretra seja confirmada.
A uretrocistografia retrógrada permite visualizar a anatomia uretral e identificar o local e a extensão do extravasamento de contraste. É o padrão-ouro para diferenciar lesões parciais de totais e localizar se a lesão é na uretra anterior (bulbar ou peniana) ou posterior (membranosa ou prostática). O diagnóstico preciso guia a conduta, decidindo entre tentativa de sondagem cuidadosa por especialista, cistostomia suprapúbica ou reparo cirúrgico imediato.
O trauma de uretra anterior ocorre distalmente ao diafragma urogenital e é comumente causado por traumas diretos no períneo, como a queda 'de cavaleiro' (lesão da uretra bulbar). O trauma de uretra posterior ocorre proximalmente ao diafragma urogenital e está quase invariavelmente associado a fraturas complexas do anel pélvico (lesão da uretra membranosa). O manejo inicial de derivação urinária é semelhante, mas as complicações a longo prazo e as técnicas de reconstrução diferem.
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