Trauma Toracoabdominal: Diagnóstico de Lesão Diafragmática

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2015

Enunciado

Homem, 45 anos, é assaltado na saída do caixa eletrônico, mas se assusta e reage, sendo então atingido por um projétil de arma de fogo. Chegou ao pronto-socorro ansioso, com FC: 110 bpm, taquipneico e com um pouco de dor à palpação do hipocôndrio Direito (D) onde se via o orifício de entrada do projétil, mas sem dor no restante do abdome. O orifício de saída estava no 10º espaço intercostal na linha axilar posterior D. Apresentava murmúrio vesicular presente bilateralmente, mas diminuído à D. RX na sala de trauma mostrou um velamento em hemitórax D. Foi drenado o tórax com saída de 350 ml de sangue. Após 1.000 ml de SF 0,9% apresentava-se estável hemodinamicamente com FC: 90 bpm. Com relação ao caso acima, podemos afirmar que:

Alternativas

  1. A) A estabilidade hemodinâmica afasta a possibilidade de lesão abdominal associada.
  2. B) Tem indicação de janela pericárdica.
  3. C) A tomografia computadorizada de abdome mostrando lesão hepática indica que houve lesão do diafragma.
  4. D) A tomografia computadorizada de tórax com derrame pleural, mas sem evidência de lesão do parênquima pulmonar, indica a retirada do dreno de tórax.
  5. E) O ferimento é exclusivamente torácico.

Pérola Clínica

FAF toracoabdominal: Lesão hepática → indica lesão diafragmática devido à anatomia da região.

Resumo-Chave

Ferimentos por arma de fogo na região toracoabdominal (entre o 4º EIC anterior e a margem costal) têm alta probabilidade de lesar tanto órgãos torácicos quanto abdominais, incluindo o diafragma. A presença de lesão hepática, um órgão abdominal, em um FAF com trajetória que cruza o tórax, confirma a lesão diafragmática.

Contexto Educacional

O trauma toracoabdominal, resultante de ferimentos penetrantes por arma de fogo (FAF) ou arma branca, representa um desafio diagnóstico e terapêutico devido à complexidade anatômica da região. A área compreendida entre o 4º espaço intercostal anteriormente, o 6º lateralmente e o 8º posteriormente, até as margens costais, é considerada toracoabdominal, pois um projétil pode atravessar o diafragma e lesar órgãos de ambas as cavidades. A suspeita de lesão diafragmática é alta nesses casos e deve ser ativamente investigada. No caso de um FAF com orifício de entrada no hipocôndrio direito e saída no 10º espaço intercostal posterior direito, a trajetória claramente atravessa a região toracoabdominal. A presença de sinais de lesão torácica, como hemotórax, é comum. No entanto, a confirmação de uma lesão hepática através de exames de imagem, como a tomografia computadorizada de abdome, é um indicativo forte e indireto de que o projétil necessariamente atravessou o diafragma para atingir o fígado, um órgão intra-abdominal. Para residentes, é crucial entender que a avaliação inicial do trauma deve ser abrangente, e a estabilidade hemodinâmica não exclui a presença de lesões graves. A identificação de lesão diafragmática é vital, pois sua não detecção pode levar a complicações tardias graves, como hérnia diafragmática. A tomografia computadorizada é uma ferramenta diagnóstica essencial para delinear a extensão das lesões e guiar a conduta terapêutica, que frequentemente envolve exploração cirúrgica para reparo do diafragma e tratamento das lesões associadas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para lesão diafragmática em trauma toracoabdominal?

Sinais de alerta incluem dor referida no ombro (irritação diafragmática), dispneia, diminuição do murmúrio vesicular no lado afetado, e achados radiográficos como elevação do hemidiafragma ou presença de alças intestinais no tórax. No entanto, muitas lesões são assintomáticas inicialmente.

Por que a estabilidade hemodinâmica inicial não afasta lesões abdominais graves em trauma penetrante?

A estabilidade hemodinâmica pode ser transitória. Lesões de órgãos sólidos com sangramento contido ou lesões de vísceras ocas podem não causar choque hipovolêmico imediato. A observação contínua e exames complementares são cruciais para detectar lesões ocultas.

Qual a importância da tomografia computadorizada no trauma toracoabdominal?

A tomografia computadorizada é fundamental para avaliar a extensão das lesões em trauma toracoabdominal, identificar a trajetória do projétil, detectar lesões de órgãos sólidos e ocos, e avaliar o diafragma. Ela fornece detalhes anatômicos que auxiliam no planejamento cirúrgico e manejo.

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