Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2015
Durante uma discussão com o marido embriagado, uma mulher de 35 anos foi esfaqueada e levada após 20 minutos ao Serviço de Emergência. Chegou hemodinamicamente instável e não melhorou após reanimação volêmica inicial sendo submetida à toracotomia e, a seguir, laparotomia exploradora por um ferimento tóracoabdominal. O achado foi de um hemotórax de moderado volume com sangramento ativo de artéria intercostal, que foi ligada, uma lesão pulmonar de 3 cm com escape aéreo e sangramento em babação, e uma lesão diafragmática associada a uma lesão hepática superficial sem sangramento. Das alternativas abaixo, qual indica o melhor tratamento para as lesões do pulmão e do diafragma, respectivamente?
Lesão pulmonar traumática com escape aéreo → sutura em barra grega + chuleio (fio absorvível). Lesão diafragmática → pontos separados em "U" ou "X" (fio inabsorvível).
No trauma toracoabdominal, a lesão pulmonar com escape aéreo e sangramento em babação geralmente é tratada com sutura em barra grega seguida de chuleio, utilizando fio absorvível para evitar complicações futuras. A lesão diafragmática, por sua vez, exige um reparo robusto com pontos separados em "U" ou "X" de fio inabsorvível, devido à tensão constante e ao risco de hérnia.
O trauma toracoabdominal é uma condição complexa que exige avaliação rápida e intervenção cirúrgica precisa, especialmente em pacientes hemodinamicamente instáveis. Lesões penetrantes podem afetar múltiplos órgãos, como pulmões, diafragma, fígado e vasos, resultando em hemotórax, pneumotórax e hemoperitônio. A estabilização do paciente e o controle do sangramento são as prioridades iniciais. A fisiopatologia das lesões pulmonares traumáticas envolve lacerações do parênquima, que podem causar sangramento (hemotórax) e escape aéreo (pneumotórax). Lesões diafragmáticas, muitas vezes associadas a ferimentos penetrantes, representam um risco de hérnia de órgãos abdominais para o tórax. O diagnóstico é feito por exames de imagem e, frequentemente, confirmado durante a toracotomia e/ou laparotomia exploradora. O tratamento cirúrgico das lesões pulmonares com escape aéreo e sangramento em babação geralmente envolve suturas pulmonares que visam controlar o sangramento e o vazamento de ar, como a sutura em barra grega seguida de chuleio, utilizando fio absorvível para minimizar a formação de granulomas. Para lesões diafragmáticas, o reparo deve ser robusto, com pontos separados em "U" ou "X" de fio inabsorvível, garantindo a integridade da barreira entre as cavidades torácica e abdominal e prevenindo hérnias tardias.
Os princípios incluem controle do sangramento, reparo de vazamentos aéreos, preservação máxima do parênquima pulmonar e garantia de expansão pulmonar adequada pós-operatória, geralmente com suturas em cunha ou em barra grega.
O diafragma é uma estrutura muscular que está sob constante movimento e tensão. O fio inabsorvível oferece maior resistência e durabilidade à sutura, prevenindo a deiscência e a formação de hérnias diafragmáticas tardias, que são complicações graves.
As principais complicações incluem hérnia diafragmática tardia, com risco de estrangulamento de órgãos abdominais herniados, e insuficiência respiratória devido à compressão pulmonar.
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