HEVV - Hospital Evangélico de Vila Velha (ES) — Prova 2024
Um jovem com 20 anos de idade é levado ao pronto-socorro com um ferimento toracoabdominal por arma branca, em hemitórax esquerdo, acima do rebordo da última costela na linha hemiclavicular. Está alerta, bem orientado e hemodinamicamente estável. A radiografia de tórax revela pneumotórax de 30%. Após a avaliação inicial desse paciente, o(s) passo(s) subsequentes(s) consiste(m) em
Ferimento toracoabdominal + pneumotórax → Drenagem torácica + exploração abdominal (laparotomia/laparoscopia) mesmo em estáveis.
Ferimentos toracoabdominais são complexos devido ao risco de lesões em ambos os compartimentos. Mesmo com estabilidade hemodinâmica e pneumotórax pequeno, a possibilidade de lesão diafragmática e de órgãos abdominais exige exploração cirúrgica para evitar complicações tardias e graves.
Ferimentos toracoabdominais por arma branca representam um desafio diagnóstico e terapêutico significativo na emergência, devido à proximidade anatômica e à possibilidade de lesões em múltiplos órgãos torácicos e abdominais. A epidemiologia mostra que esses traumas são comuns em centros urbanos, sendo uma causa importante de morbimortalidade. O manejo inicial adequado é crucial para o prognóstico do paciente. A fisiopatologia envolve a penetração da cavidade torácica e abdominal, com potencial para pneumotórax, hemotórax, lesão diafragmática e lesões viscerais. O diagnóstico é guiado pela cinemática do trauma, exame físico e exames complementares como radiografia de tórax e FAST. A presença de pneumotórax, mesmo que pequeno, em um ferimento toracoabdominal, exige atenção, pois pode indicar lesão diafragmática. O tratamento envolve a estabilização do paciente, drenagem torácica para pneumotórax e, frequentemente, exploração cirúrgica abdominal (laparotomia ou laparoscopia) para descartar ou tratar lesões diafragmáticas e viscerais, mesmo em pacientes hemodinamicamente estáveis. O prognóstico depende da extensão das lesões e da rapidez da intervenção. É um tema recorrente em provas de residência, enfatizando a importância da avaliação abrangente e da conduta proativa.
No hemitórax esquerdo, acima do rebordo costal, além do pulmão e diafragma, órgãos como baço, estômago, cólon transverso e flexura esplênica do cólon podem ser atingidos, exigindo alta suspeição.
A drenagem torácica é indicada para pneumotórax traumático sintomático, pneumotórax maior que 15-20% do volume pulmonar, ou em pacientes que necessitarão de ventilação com pressão positiva, para aliviar o desconforto respiratório e prevenir complicações.
A exploração abdominal (laparotomia ou laparoscopia) é necessária devido ao alto risco de lesões diafragmáticas e viscerais ocultas, que podem evoluir para complicações graves como hérnias diafragmáticas, peritonite tardia ou hemorragia, mesmo em pacientes inicialmente estáveis.
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