Trauma Toracoabdominal: Manejo do Choque e Lesões Graves

HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2020

Enunciado

Homem, 28 anos, vítima de dois ferimentos por arma branca, é trazido à emergência. Um ferimento estava localizado em hemitórax esquerdo, 5º espaço intercostal na linha hemiclavicular. Outro ferimento estava localizado 2 centímetros acima da cicatriz umbilical. Estava falando adequadamente e referia falta de ar e dor no local do ferimento abdominal. PA 80/50 mmHg FC 125 bpm FR 30 mrpm, Saturação O₂ 88% e Glasgow 15. Aparelho respiratório: diminuição do murmúrio vesicular e hipertimpanismo à esquerda. No exame do abdome, apresenta dor apenas à palpação no local do ferimento e na região próxima à lesão. Em relação ao atendimento inicial desse paciente, considere as afirmativas a seguir: I. Está indicada via aérea definitiva. II. Radiografia de tórax é dispensável para orientar a conduta inicial em relação ao tórax. III. Está indicada laparotomia de urgência sem necessidade de exame de imagem do abdome. Está/Estão correta(s) apenas a(s) afirmativa(s)

Alternativas

  1. A) I.
  2. B) II.
  3. C) I e III.
  4. D) II e III.

Pérola Clínica

Paciente instável hemodinamicamente com trauma toracoabdominal → priorizar estabilização e intervenção cirúrgica imediata.

Resumo-Chave

Pacientes com trauma toracoabdominal e instabilidade hemodinâmica (PA 80/50 mmHg, FC 125 bpm) exigem atendimento imediato focado na estabilização e identificação de lesões com risco de vida. A presença de sinais de pneumotórax/hemotórax e dor abdominal com ferimento penetrante indica a necessidade de intervenção cirúrgica urgente.

Contexto Educacional

O trauma toracoabdominal é uma emergência grave que exige avaliação rápida e intervenção imediata, seguindo os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support). A instabilidade hemodinâmica (PA 80/50 mmHg, FC 125 bpm) e a baixa saturação de oxigênio (88%) indicam choque, provavelmente hipovolêmico devido aos ferimentos penetrantes. No contexto de um paciente instável com sinais clínicos de pneumotórax/hemotórax (diminuição do murmúrio vesicular e hipertimpanismo), a conduta inicial de salvamento, como a descompressão torácica, pode ser guiada pela clínica e não deve ser atrasada por exames de imagem. Portanto, para a *conduta inicial* de emergência, a radiografia de tórax pode ser considerada dispensável, priorizando a intervenção imediata para salvar a vida do paciente. Para residentes, é crucial compreender que a prioridade no trauma é a estabilização do paciente. A presença de ferimento abdominal penetrante com instabilidade hemodinâmica é uma indicação clara para laparotomia exploratória de urgência, sem a necessidade de exames de imagem adicionais que poderiam atrasar a cirurgia e piorar o prognóstico.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de choque hipovolêmico em um paciente traumatizado?

Sinais de choque hipovolêmico incluem hipotensão (PA < 90 mmHg), taquicardia (> 100 bpm), taquipneia, pele fria e pegajosa, enchimento capilar prolongado, alteração do nível de consciência e oligúria.

Quando está indicada a laparotomia de urgência em trauma abdominal penetrante?

A laparotomia de urgência está indicada em trauma abdominal penetrante com instabilidade hemodinâmica, evisceração, sinais de peritonite, sangramento gastrointestinal ativo, ou quando há suspeita de lesão de órgão sólido ou oco com risco de vida.

Qual a importância da avaliação da via aérea no atendimento inicial do trauma?

A avaliação e manejo da via aérea são a prioridade máxima no atendimento inicial do trauma (A do ABCDE do ATLS). A via aérea definitiva é indicada em pacientes com Glasgow < 8, falha respiratória iminente ou obstrução de via aérea.

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