Trauma Toracoabdominal: Manejo do Hemotórax e Lesão Esplênica

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 24 anos, com ferimento por arma branca em transição toracoabdominal posterior à esquerda, chega à sala de emergência com PA = 120 x 80 mmHg, FC = 98 bpm, SAT = 96% e máscara de O₂, murmúrio vesicular diminuído à esquerda, foi submetido a tomografia de tórax e abdome que mostrou hemotórax à esquerda associado a presença de líquido periesplênico. No exame físico abdominal, apresenta discreta dor à palpação no hipocôndrio esquerdo com descompressão brusca dolorosa negativa. Qual a conduta a ser adotada?

Alternativas

  1. A) Tratamento conservador em Unidade de Terapia Intensiva com controle da saturação de O₂ e Hb/Ht seriado.
  2. B) Drenagem do hemitórax esquerdo e internação em enfermaria.
  3. C) Tratamento conservador em enfermaria se mantiver boa saturação e Hb/Ht seriado sem queda significativa.
  4. D) Laparotomia exploradora imediata e drenagem hemotórax esquerdo se queda do Hb/Ht.
  5. E) Drenagem do hemitórax esquerdo e videolaparoscopia.

Pérola Clínica

Ferimento toracoabdominal com hemotórax e líquido periesplênico → Drenagem torácica + videolaparoscopia para avaliar lesão esplênica.

Resumo-Chave

Ferimentos na transição toracoabdominal são desafiadores, pois podem lesar estruturas torácicas e abdominais. A presença de hemotórax e líquido periesplênico indica lesões em ambos os compartimentos (pulmão/pleura e baço, respectivamente), exigindo drenagem torácica para o hemotórax e investigação abdominal, preferencialmente por videolaparoscopia em paciente estável, para avaliar a lesão esplênica.

Contexto Educacional

Ferimentos penetrantes na transição toracoabdominal representam um desafio diagnóstico e terapêutico devido à possibilidade de lesão de múltiplos órgãos em diferentes cavidades. A avaliação inicial deve seguir os princípios do ATLS, priorizando a estabilização do paciente e a identificação de lesões com risco de vida. Neste caso, o paciente apresenta hemotórax à esquerda (murmúrio vesicular diminuído e confirmado por TC) e líquido periesplênico, sugerindo lesão do baço. A estabilidade hemodinâmica (PA 120x80, FC 98) permite uma abordagem mais investigativa. A drenagem do hemotórax é essencial para evacuar o sangue e permitir a reexpansão pulmonar. A presença de líquido periesplênico em um paciente estável com ferimento penetrante na transição toracoabdominal à esquerda levanta forte suspeita de lesão esplênica. A videolaparoscopia é a conduta mais adequada, pois permite a exploração da cavidade abdominal de forma minimamente invasiva, confirmando a lesão esplênica e, se possível, realizando o tratamento (esplenorrafia ou esplenectomia) sem a necessidade de uma laparotomia exploradora aberta, que é mais invasiva e com maior morbidade.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da transição toracoabdominal em ferimentos penetrantes?

A transição toracoabdominal é uma área crítica onde ferimentos penetrantes podem lesar tanto órgãos torácicos (pulmão, diafragma) quanto abdominais (fígado, baço, estômago), exigindo avaliação de ambos os compartimentos.

Quando a videolaparoscopia é indicada em trauma abdominal?

A videolaparoscopia é indicada em pacientes hemodinamicamente estáveis com suspeita de lesão abdominal penetrante, especialmente para avaliar o diafragma e órgãos sólidos, permitindo diagnóstico e tratamento minimamente invasivos.

Quais são os sinais de instabilidade hemodinâmica que indicariam laparotomia imediata?

Sinais de instabilidade hemodinâmica incluem hipotensão persistente, taquicardia grave, má perfusão e sangramento ativo incontrolável, que indicariam laparotomia exploradora imediata em vez de videolaparoscopia.

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