UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2022
Paciente, 22 anos de idade, vítima de ferimento por arma branca, após briga familiar, é admitido no pronto-socorro. Apresenta-se com vias aéreas pérvias, estável hemodinamicamente, consciente e orientado. Apresenta abolição do murmúrio no hemitórax esquerdo e ferimento de 3,0 cm inframamilar no 7º EIC esquerdo, sem sangramento pelo orifício. O FAST encontra-se normal. Em relação à propedêutica subsequente para esse caso, assinale a alternativa correta.
Ferimento toracoabdominal estável com abolição de murmúrio → Drenagem torácica + Laparoscopia exploradora.
Ferimentos penetrantes abaixo da linha mamilar (4º EIC na frente, 7º EIC lateral, 9º EIC atrás) são considerados toracoabdominais e podem lesar tanto o tórax quanto o abdome e o diafragma. A abolição do murmúrio indica lesão torácica (pneumotórax/hemotórax) que requer drenagem. Mesmo em paciente estável e FAST negativo, a alta suspeita de lesão diafragmática ou abdominal exige exploração cirúrgica, sendo a laparoscopia a via preferencial em pacientes estáveis.
O trauma toracoabdominal é uma lesão complexa e potencialmente grave, representando um desafio diagnóstico e terapêutico devido à proximidade e interconexão das cavidades torácica e abdominal. Ferimentos penetrantes nessa região podem lesar o diafragma, pulmões, coração, grandes vasos, fígado, baço, estômago e intestinos. A importância clínica reside na alta morbimortalidade associada, exigindo uma avaliação rápida e precisa para identificar lesões que demandam intervenção imediata. A fisiopatologia das lesões toracoabdominais envolve a penetração de um objeto que pode atravessar o diafragma, causando lesões em ambas as cavidades. A abolição do murmúrio vesicular indica pneumotórax ou hemotórax, enquanto a localização do ferimento (7º EIC esquerdo inframamilar) sugere forte suspeita de lesão diafragmática e/ou de órgãos abdominais (como baço, estômago). O FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) pode ser normal em lesões diafragmaticas ou pequenas lesões de órgãos sólidos. O diagnóstico é guiado pela clínica, exames de imagem e, frequentemente, pela exploração cirúrgica. O tratamento inicial em pacientes estáveis envolve a estabilização hemodinâmica e a drenagem torácica para pneumotórax/hemotórax. A propedêutica subsequente para lesões toracoabdominais penetrantes em pacientes estáveis inclui a exploração cirúrgica. A laparoscopia é a via preferencial para avaliar o diafragma e a cavidade abdominal, permitindo identificar e tratar lesões. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e da extensão das lesões. Pontos de atenção incluem a alta suspeita de lesão diafragmática em ferimentos toracoabdominais, a limitação do FAST em algumas lesões e a necessidade de exploração cirúrgica mesmo em pacientes inicialmente estáveis.
A região toracoabdominal é definida como a área entre o 4º espaço intercostal (EIC) anteriormente (linha mamilar), o 7º EIC lateralmente (linha axilar média) e o 9º EIC posteriormente (linha escapular), até a margem costal inferior. Ferimentos nessa área podem penetrar tanto a cavidade torácica quanto a abdominal, incluindo o diafragma.
A laparoscopia é indicada em pacientes estáveis hemodinamicamente com ferimentos penetrantes toracoabdominais, especialmente quando há suspeita de lesão diafragmática ou de órgãos abdominais, mas sem sinais claros de peritonite ou sangramento maciço. Permite a exploração da cavidade abdominal e do diafragma de forma menos invasiva que a laparotomia.
A drenagem torácica é crucial para tratar pneumotórax ou hemotórax, que são comuns em ferimentos torácicos e toracoabdominais. A abolição do murmúrio vesicular é um sinal de acúmulo de ar ou sangue na cavidade pleural, e a drenagem restabelece a ventilação e previne o choque hipovolêmico por hemotórax maciço.
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